fev 7 2012

O que fazemos para que Deus nos ame?

O que fazemos para que Deus nos ame? O mesmo que nós fazemos para receber a luz do Sol. Nada! Nenhum de nós precisa acender o Sol todas as manhãs. Quando acordamos, ele já está lá. Nenhum de nós precisa pagar à companhia de eletricidade para desfrutar do calor e da luz do Sol. Nós tão somente nascemos num planeta que orbita ao redor desse astro. Assim também é o amor de Deus, não fizemos nada para merecê-lo.

O amor de Deus de certa forma atinge a todos. Afinal, como Jesus disse, o Pai “faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos” (Mt. 5:45). Contudo, se usarmos a figura do sistema solar, veremos que nem todo planeta que orbita em torno do Sol recebe luz e calor suficiente para que haja vida humana. Da mesma forma, assim como todos são atingidos pelo amor de Deus, nem todos estão na órbita certa para que haja vida.

Então fica a pergunta: Qual é a posição certa, a localização exata, para que o amor de Deus produza vida em nós? Segundo Jo. 3:16, vemos que Deus amou o mundo, mas são os que creem que recebem a vida eterna. Portanto, a posição certa é a fé.

Em Hb. 3:12 já somos alertados a não deixarmos que um coração de incredulidade nos afaste do Deus vivo, ou seja, nos tire da órbita certa. E como nos manter na posição de fé? O versículo seguinte nos responde: “Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hb. 3:13).

Para nos mantermos no lugar de fé, há algo indispensável: precisamos da exortação mútua. Em outras palavras, precisamos não apenas de convívio, mas de relacionamento profundo com nossos irmãos. Nossa comunhão com nossos irmãos deve se expressar na consideração mútua, no estímulo, nas admoestações (Hb. 10:24,25), no levar as cargas uns dos outros (Gl. 6:2), na confissão de nossos pecados uns outros (Tg. 5:16). Tudo isso só é possível quando há, para além do convívio, sinceridade, transparência, honestidade, profundidade em falar de si mesmo e em tratar da vida de seus irmãos. O convívio promove o ambiente para isso, mas se não houver corações profundos, esse ambiente não produzirá nada.

Por isso, decida orbitar ao alcance do amor de Deus, desfrutando da vida que Ele tem para você. Para isso, desfrute do relacionamento com a Igreja, o Corpo de Cristo. Decida viver com profundidade. Decida viver no Melhor Lugar do Mundo, que é o lugar onde Jesus está: “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt. 18:20).

Em Cristo,

Anderson Paz

* Texto originalmente publicado na página Espaço Discípulos no Facebook.

jan 30 2012

Casamento… quando ele existe?

Já faz algum tempo que escutei certo pastor (em uma pregação cujo áudio estava disponibilizado no site da igreja pastoreada por ele) fazendo algumas considerações sobre a realidade de jovens adultos que mantêm vida sexual ativa sem casamento. Segundo a declaração do referido pastor, esses jovens já estão casados sem que saibam disso. Apenas estariam em um péssimo casamento, com compromisso parcial. Na figura usada por ele, esses jovens estariam em um casamento com “20% de compromisso”. Na pregação, o pastor relata a seguinte hipótese:

“Por exemplo, o sujeito tem uma namorada e tem vida sexual ativa com sua namorada por 1 ano e meio. Aí a menina tem um outro namorado com quem tem vida sexual ativa por mais 7 meses. Aí depois transou com três caras diferentes em três finais de semana diferentes porque estava sozinha. Aí depois arrumou um noivo. Vai casar. Aí vem pro pastor, que vai fazer esse casamento. Bom, já deve ser o sexto casamento dela. Não é o primeiro. É o 6º, o 7º, o 8º, sei lá. É o 7º depois de 6 péssimos casamentos”.

Logo em seguida, ao falar sobre necessidade de estabilidade e segurança na relação conjugal, o pastor fez a seguinte observação:

“Alguém acha mesmo que vai para o inferno quem tem vida sexual ativa e não é casado ou quem transou ou deixou de transar? A questão não é “Deus castiga”, “é pecado, Deus condena”. A questão não é “é pecado, vai pro inferno”. Nosso apetite legítimo não é de sexo. Nós não somos bicho, nós não vivemos o ciclo do sio. Nós somos gente, para amar, dar amor… Tratar-se e tratar o parceiro com dignidade. Você está comprometido a ter esse seu parceiro com dignidade e assumi-lo por completo. Então desfrute”.

No fundamento da declaração desse pregador está uma definição de casamento diferente da que é tradicionalmente aceita. Para essa definição, a relação entre duas pessoas se configura como casamento quando há relação sexual. Ou, além disso, quando há comunhão de afetos. Sendo assim, quando houver comunhão de afetos, indiscutivelmente já haveria uma casamento, ainda que incompleto. Em um texto que defende essa concepção, li a seguinte afirmação:

“o casamento é algo que acontece no simples apegar, ajuntar, não dependendo de mais nada nem de ninguém. Casamento perante Deus acontece naturalmente e é fruto de amor e compromisso. O resto é costume humano”.

Logo na primeira vez em que tive contato com essa definição de casamento, me pus a refletir sobre o tema, e a buscar o que as Escrituras afirmam sobre a configuração matrimonial: que elementos deve haver em uma relação entre duas pessoas para que se configure um casamento?

Para ler o documento completo, clique aqui.


jan 26 2012

Foi sem querer. Não tive a intenção…

Quem dentre nós nunca cometeu um erro e disse “foi sem querer” ou “não tive a intenção de fazer isso”? Geralmente esses erros ocorrem quando reagimos à situações que nos pegam de surpresa, inesperadas. De certa forma, podemos dizer que essas situações nos pegam desprevenidos, com a guarda baixa. Acredito que nessas circunstâncias temos muito a aprender sobre nós mesmos. Sobre esse tema, C. S. Lewis faz a seguinte observação:

“… será que o que um homem faz quando é pego com a guarda baixa não é o melhor sinal de que tipo de homem ele é na realidade? Não é a verdade que sempre se evidencia quando o homem não tem tempo de vestir seu disfarce? Se existem ratos no porão, a melhor maneira de apanhá-los é entrando no local de sopetão. A entrada repentina não cria os ratos, apenas os impede de se esconder. Da mesma forma, a rapidez da provocação não faz de mim um homem mal-humorado; simplesmente mostra o quão mal-humorado eu efetivamente sou. O porão está sempre cheio de ratos, mas, se chegamos fazendo barulho, eles têm tempo de buscar um esconderijo antes de acendermos  a luz” ¹.

Ao decidirmos andar com Jesus nos comprometemos com a transformação do nosso caráter. Isso não diz respeito à mudanças das condutas exteriores, mas  à completa transformação da fonte de nosso comportamento: nosso interior, nosso coração. Por isso precisamos estar atentos para tratar com profundidade todo o sinal emitido pelo nosso coração (sejam palavras, sejam sentimentos), e sempre prontos para admitir a realidade de quem nós somos, nos arrepender e orar como o salmista: “vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl. 139:24).

Em Cristo,

Anderson Paz

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1 – LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. Martins Fontes, p. 254.


jan 20 2012

Justificados pela fé… mas julgados pelas obras?

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (II Co. 5:10).

A declaração acima parece estar em contradição com a clara verdade bíblica de que somos justificados pela fé em Jesus Cristo, e não por nossas obras (Rm. 5:1). Acerca dessa aparente contradição, Christopher Wright ¹ escreve:

Talvez você proteste. “Mas eu achava que éramos justificados pela fé, e não por obras!”. Sim, é claro. Somos justificados pela fé. Porém, seremos jukgados por nossas obras. Deixe-me explicar.

Quando aceito o que a Bíblia diz sobre o meu pecado, quando me arrependo dele e coloco minha confiança em Jesus, que suportou meu pecado na cruz, estou de fato me acertando com Deus, por sua graça, por meio da fé. Meus pecados são perdoados e posso saber, com toda a certeza, aqui e agora, que estarei perante a justiça de Cristo naquele dia final como parte do seu povo redimido. Assim, sou salvo da ira de Deus por meio da fé em Cristo. Sou justificado – declarado justo – pela graça por meio da fé.

Porém, como eu disse, o dia do julgamento é o dia do veredicto de Deus baseado em evidência, não um dia para ouvir clamores de fé. Assim, qual será a evidência da minha fé? Não apenas o fato de eu dizer que tenho fé, mas o fato de minha vida demonstrar isso. São nossas vidas que provam a realidade da nossa fé (ou não, se for o caso). Serei julgado pelas evidências (minhas obras), e elas mostrarão publicamente e acima de qualquer dúvida se minha vida foi ou não baseada na confiança em Cristo (minha fé).

Jesus foi incisivo sobre isso em uma das mais solenes declarações proferidas por ele:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus.
Muitos dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt. 7:21-23).

E então, como estão as evidência da nossa fé?

Pense sobre isso.

Em Cristo,

Anderson Paz

1 – Extraído do livro “O Deus que eu não entendo”, publicado pela Editora Ultimato.


jan 20 2012

O mundo precisa de gente leal

Em certo momento da vida de Davi, um grupo de guerreiros se apresentou para servi-lo. Diante dessa apresentação, Davi os questionou acerca de sua lealdade. A resposta foi dada por Amasai, líder do grupo, mas o texto bíblico destaca algo muito interessante sobre o que motivou a resposta: “Então o Espírito veio sobre Amasai, chefe do pelotão dos trinta, e ele disse: “Somos teus, ó Davi! Estamos contigo, ó filho de Jessé! (1 Cr. 12:18).

Como é interessante e edificante observar este detalhe: foi o Espírito Santo que conduziu a declaração de lealdade feita por Amasai a Davi.

Não resta dúvida de que o Espírito Santo quer produzir em nós lealdade para com Deus, mas nem sempre damos a devida atenção ao fato de que o mesmo Espírito quer que sejamos leais em nossos relacionamentos uns com os outros. Contudo, convém neste momento perguntar: o que é lealdade?

A palavra lealdade carrega consigo a noção de compromisso e fidelidade. Leal é quem cumpre com fidelidade, seriedade e profundidade seus compromissos. Ao olharmos o Novo Testamento, encontraremos inúmeros compromissos que, enquanto cristãos, temos uns com os outros: são expressões de lealdade. Portanto, somos constantemente convocados à lealdade, tanto para com Deus como também para com nossos irmãos.

A lealdade se traduz em diversos compromissos: somos chamados a proteger a fé e a vida de nossos irmãos através do ânimo (Hb. 3:12,13: 10:24), mas também da repreensão sincera (Hb. 10:25: Gl. 6:1); temos o dever de fazer parte da vida de nossos irmãos, assumindo cargas que originalmente não são nossas, mas que passou a ser por sermos parte da mesma família (Gl. 6:2); devemos desfrutar do benefício que é fazer da igreja participante das nossas vidas, através da sujeição mútua (Ef. 5:21); recebendo conselhos (Cl. 3:16), sendo transparentes e honestos (Tg. 5:21; I Jo. 1:7-9); entre muitos outros compromissos. Além disso, temos a responsabilidade de ajudar aqueles que nos servem a nos servirem cada vez melhor. Com gratidão devemos favorecer o trabalho deles. É por isso que Paulo nos ensina: “tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham.Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho dele” (I Ts. 5:12-13). E o autor da carta aos Hebreus nos lembra: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb. 13:17).

Todos esses compromissos são algumas expressões do que é ser leal. Infelizmente, lealdade é um virtude que raramente se encontra, mas não deve ser assim no Corpo de Cristo. Acredito firmemente que Deus quer produzir isso em nós, e sou animado e fortalecido por caminhar com gente que leva a lealdade a sério. Gente que cuida de mim, me fala a verdade, ainda que doa, e me guarda. Quero crescer em lealdade para com elas, e também para com todo o Corpo de Cristo.

Como está sua lealdade a Deus e aos seus irmãos? Ore, pense, avalie e decida mergulhar com profundidade no compromisso com Deus e com sua família, a Igreja.

Em Cristo,

Anderson Paz

* Texto originalmente escrito para o blog Conexão Eclésia.


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