jan 30 2012

Casamento… quando ele existe?

Já faz algum tempo que escutei certo pastor (em uma pregação cujo áudio estava disponibilizado no site da igreja pastoreada por ele) fazendo algumas considerações sobre a realidade de jovens adultos que mantêm vida sexual ativa sem casamento. Segundo a declaração do referido pastor, esses jovens já estão casados sem que saibam disso. Apenas estariam em um péssimo casamento, com compromisso parcial. Na figura usada por ele, esses jovens estariam em um casamento com “20% de compromisso”. Na pregação, o pastor relata a seguinte hipótese:

“Por exemplo, o sujeito tem uma namorada e tem vida sexual ativa com sua namorada por 1 ano e meio. Aí a menina tem um outro namorado com quem tem vida sexual ativa por mais 7 meses. Aí depois transou com três caras diferentes em três finais de semana diferentes porque estava sozinha. Aí depois arrumou um noivo. Vai casar. Aí vem pro pastor, que vai fazer esse casamento. Bom, já deve ser o sexto casamento dela. Não é o primeiro. É o 6º, o 7º, o 8º, sei lá. É o 7º depois de 6 péssimos casamentos”.

Logo em seguida, ao falar sobre necessidade de estabilidade e segurança na relação conjugal, o pastor fez a seguinte observação:

“Alguém acha mesmo que vai para o inferno quem tem vida sexual ativa e não é casado ou quem transou ou deixou de transar? A questão não é “Deus castiga”, “é pecado, Deus condena”. A questão não é “é pecado, vai pro inferno”. Nosso apetite legítimo não é de sexo. Nós não somos bicho, nós não vivemos o ciclo do sio. Nós somos gente, para amar, dar amor… Tratar-se e tratar o parceiro com dignidade. Você está comprometido a ter esse seu parceiro com dignidade e assumi-lo por completo. Então desfrute”.

No fundamento da declaração desse pregador está uma definição de casamento diferente da que é tradicionalmente aceita. Para essa definição, a relação entre duas pessoas se configura como casamento quando há relação sexual. Ou, além disso, quando há comunhão de afetos. Sendo assim, quando houver comunhão de afetos, indiscutivelmente já haveria uma casamento, ainda que incompleto. Em um texto que defende essa concepção, li a seguinte afirmação:

“o casamento é algo que acontece no simples apegar, ajuntar, não dependendo de mais nada nem de ninguém. Casamento perante Deus acontece naturalmente e é fruto de amor e compromisso. O resto é costume humano”.

Logo na primeira vez em que tive contato com essa definição de casamento, me pus a refletir sobre o tema, e a buscar o que as Escrituras afirmam sobre a configuração matrimonial: que elementos deve haver em uma relação entre duas pessoas para que se configure um casamento?

Para ler o documento completo, clique aqui.


jan 26 2012

Foi sem querer. Não tive a intenção…

Quem dentre nós nunca cometeu um erro e disse “foi sem querer” ou “não tive a intenção de fazer isso”? Geralmente esses erros ocorrem quando reagimos à situações que nos pegam de surpresa, inesperadas. De certa forma, podemos dizer que essas situações nos pegam desprevenidos, com a guarda baixa. Acredito que nessas circunstâncias temos muito a aprender sobre nós mesmos. Sobre esse tema, C. S. Lewis faz a seguinte observação:

“… será que o que um homem faz quando é pego com a guarda baixa não é o melhor sinal de que tipo de homem ele é na realidade? Não é a verdade que sempre se evidencia quando o homem não tem tempo de vestir seu disfarce? Se existem ratos no porão, a melhor maneira de apanhá-los é entrando no local de sopetão. A entrada repentina não cria os ratos, apenas os impede de se esconder. Da mesma forma, a rapidez da provocação não faz de mim um homem mal-humorado; simplesmente mostra o quão mal-humorado eu efetivamente sou. O porão está sempre cheio de ratos, mas, se chegamos fazendo barulho, eles têm tempo de buscar um esconderijo antes de acendermos  a luz” ¹.

Ao decidirmos andar com Jesus nos comprometemos com a transformação do nosso caráter. Isso não diz respeito à mudanças das condutas exteriores, mas  à completa transformação da fonte de nosso comportamento: nosso interior, nosso coração. Por isso precisamos estar atentos para tratar com profundidade todo o sinal emitido pelo nosso coração (sejam palavras, sejam sentimentos), e sempre prontos para admitir a realidade de quem nós somos, nos arrepender e orar como o salmista: “vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl. 139:24).

Em Cristo,

Anderson Paz

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1 – LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. Martins Fontes, p. 254.


jan 20 2012

Justificados pela fé… mas julgados pelas obras?

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal” (II Co. 5:10).

A declaração acima parece estar em contradição com a clara verdade bíblica de que somos justificados pela fé em Jesus Cristo, e não por nossas obras (Rm. 5:1). Acerca dessa aparente contradição, Christopher Wright ¹ escreve:

Talvez você proteste. “Mas eu achava que éramos justificados pela fé, e não por obras!”. Sim, é claro. Somos justificados pela fé. Porém, seremos jukgados por nossas obras. Deixe-me explicar.

Quando aceito o que a Bíblia diz sobre o meu pecado, quando me arrependo dele e coloco minha confiança em Jesus, que suportou meu pecado na cruz, estou de fato me acertando com Deus, por sua graça, por meio da fé. Meus pecados são perdoados e posso saber, com toda a certeza, aqui e agora, que estarei perante a justiça de Cristo naquele dia final como parte do seu povo redimido. Assim, sou salvo da ira de Deus por meio da fé em Cristo. Sou justificado – declarado justo – pela graça por meio da fé.

Porém, como eu disse, o dia do julgamento é o dia do veredicto de Deus baseado em evidência, não um dia para ouvir clamores de fé. Assim, qual será a evidência da minha fé? Não apenas o fato de eu dizer que tenho fé, mas o fato de minha vida demonstrar isso. São nossas vidas que provam a realidade da nossa fé (ou não, se for o caso). Serei julgado pelas evidências (minhas obras), e elas mostrarão publicamente e acima de qualquer dúvida se minha vida foi ou não baseada na confiança em Cristo (minha fé).

Jesus foi incisivo sobre isso em uma das mais solenes declarações proferidas por ele:

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus.
Muitos dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt. 7:21-23).

E então, como estão as evidência da nossa fé?

Pense sobre isso.

Em Cristo,

Anderson Paz

1 – Extraído do livro “O Deus que eu não entendo”, publicado pela Editora Ultimato.


jan 20 2012

O mundo precisa de gente leal

Em certo momento da vida de Davi, um grupo de guerreiros se apresentou para servi-lo. Diante dessa apresentação, Davi os questionou acerca de sua lealdade. A resposta foi dada por Amasai, líder do grupo, mas o texto bíblico destaca algo muito interessante sobre o que motivou a resposta: “Então o Espírito veio sobre Amasai, chefe do pelotão dos trinta, e ele disse: “Somos teus, ó Davi! Estamos contigo, ó filho de Jessé! (1 Cr. 12:18).

Como é interessante e edificante observar este detalhe: foi o Espírito Santo que conduziu a declaração de lealdade feita por Amasai a Davi.

Não resta dúvida de que o Espírito Santo quer produzir em nós lealdade para com Deus, mas nem sempre damos a devida atenção ao fato de que o mesmo Espírito quer que sejamos leais em nossos relacionamentos uns com os outros. Contudo, convém neste momento perguntar: o que é lealdade?

A palavra lealdade carrega consigo a noção de compromisso e fidelidade. Leal é quem cumpre com fidelidade, seriedade e profundidade seus compromissos. Ao olharmos o Novo Testamento, encontraremos inúmeros compromissos que, enquanto cristãos, temos uns com os outros: são expressões de lealdade. Portanto, somos constantemente convocados à lealdade, tanto para com Deus como também para com nossos irmãos.

A lealdade se traduz em diversos compromissos: somos chamados a proteger a fé e a vida de nossos irmãos através do ânimo (Hb. 3:12,13: 10:24), mas também da repreensão sincera (Hb. 10:25: Gl. 6:1); temos o dever de fazer parte da vida de nossos irmãos, assumindo cargas que originalmente não são nossas, mas que passou a ser por sermos parte da mesma família (Gl. 6:2); devemos desfrutar do benefício que é fazer da igreja participante das nossas vidas, através da sujeição mútua (Ef. 5:21); recebendo conselhos (Cl. 3:16), sendo transparentes e honestos (Tg. 5:21; I Jo. 1:7-9); entre muitos outros compromissos. Além disso, temos a responsabilidade de ajudar aqueles que nos servem a nos servirem cada vez melhor. Com gratidão devemos favorecer o trabalho deles. É por isso que Paulo nos ensina: “tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham.Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho dele” (I Ts. 5:12-13). E o autor da carta aos Hebreus nos lembra: “Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil” (Hb. 13:17).

Todos esses compromissos são algumas expressões do que é ser leal. Infelizmente, lealdade é um virtude que raramente se encontra, mas não deve ser assim no Corpo de Cristo. Acredito firmemente que Deus quer produzir isso em nós, e sou animado e fortalecido por caminhar com gente que leva a lealdade a sério. Gente que cuida de mim, me fala a verdade, ainda que doa, e me guarda. Quero crescer em lealdade para com elas, e também para com todo o Corpo de Cristo.

Como está sua lealdade a Deus e aos seus irmãos? Ore, pense, avalie e decida mergulhar com profundidade no compromisso com Deus e com sua família, a Igreja.

Em Cristo,

Anderson Paz

* Texto originalmente escrito para o blog Conexão Eclésia.


jan 17 2012

Quando saber o certo não resolve nada…

É conhecidíssima a ilustração usada por Jesus sobre o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha, e o homem insensato que construiu sua casa sobre a areia (Mt. 7:24-27; Lc. 47-49). O primeiro permaneceu inabalável em meio à adversidade, enquanto que o fim do segundo foi a ruína.

Em geral, o “construir sobre a rocha” é compreendido como se aprofundar na verdade das Escrituras, ser fiel ao ensino bíblico, conhecer profundamente o ensino que sustenta a fé cristã. Portanto, ter um fundamento sólido seria ter uma teologia bíblica, correta, ortodoxa (reta doutrina). Essa parece ser a ideia que inspira o título do livro “Cave mais fundo”, escrito por Joshua Harris, cujo propósito é desafiar seus leitores a se aprofundarem nas doutrinas bíblicas, algo que é importantíssimo.

É preciso destacar que o ensino correto não é apenas importante. Ele é indispensável e elementar. Fidelidade às Escrituras é algo inegociável para um verdadeiro cristão. Precisamos de teologia correta. Como disse Jesus: “Errais por não conhecer as Escrituras…” (Mc. 12:24). Entretanto, ao prestarmos atenção na ilustração usada por Jesus, constataremos que ambos os construtores, o prudente e o insensato, tinham o ensino certo, a teologia correta. Os dois ouviam as palavras do próprio Jesus. O insensato não estava ouvindo doutrinas várias e estranhas. Ele era tão ortodoxo quanto o prudente. A diferença entre os dois não estava no ensino, mas na prática.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”.

Se aprofundar em conhecer o ensino correto, é apenas construir. O que determina o fundamento da construção, não é o ensino correto, mas a prática correta.

Em Cristo,

Anderson Paz


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