Casamento… quando ele existe?

Já faz algum tempo que escutei certo pastor (em uma pregação cujo áudio estava disponibilizado no site da igreja pastoreada por ele) fazendo algumas considerações sobre a realidade de jovens adultos que mantêm vida sexual ativa sem casamento. Segundo a declaração do referido pastor, esses jovens já estão casados sem que saibam disso. Apenas estariam em um péssimo casamento, com compromisso parcial. Na figura usada por ele, esses jovens estariam em um casamento com “20% de compromisso”. Na pregação, o pastor relata a seguinte hipótese:
“Por exemplo, o sujeito tem uma namorada e tem vida sexual ativa com sua namorada por 1 ano e meio. Aí a menina tem um outro namorado com quem tem vida sexual ativa por mais 7 meses. Aí depois transou com três caras diferentes em três finais de semana diferentes porque estava sozinha. Aí depois arrumou um noivo. Vai casar. Aí vem pro pastor, que vai fazer esse casamento. Bom, já deve ser o sexto casamento dela. Não é o primeiro. É o 6º, o 7º, o 8º, sei lá. É o 7º depois de 6 péssimos casamentos”.
Logo em seguida, ao falar sobre necessidade de estabilidade e segurança na relação conjugal, o pastor fez a seguinte observação:
“Alguém acha mesmo que vai para o inferno quem tem vida sexual ativa e não é casado ou quem transou ou deixou de transar? A questão não é “Deus castiga”, “é pecado, Deus condena”. A questão não é “é pecado, vai pro inferno”. Nosso apetite legítimo não é de sexo. Nós não somos bicho, nós não vivemos o ciclo do sio. Nós somos gente, para amar, dar amor… Tratar-se e tratar o parceiro com dignidade. Você está comprometido a ter esse seu parceiro com dignidade e assumi-lo por completo. Então desfrute”.
No fundamento da declaração desse pregador está uma definição de casamento diferente da que é tradicionalmente aceita. Para essa definição, a relação entre duas pessoas se configura como casamento quando há relação sexual. Ou, além disso, quando há comunhão de afetos. Sendo assim, quando houver comunhão de afetos, indiscutivelmente já haveria uma casamento, ainda que incompleto. Em um texto que defende essa concepção, li a seguinte afirmação:
“o casamento é algo que acontece no simples apegar, ajuntar, não dependendo de mais nada nem de ninguém. Casamento perante Deus acontece naturalmente e é fruto de amor e compromisso. O resto é costume humano”.
Logo na primeira vez em que tive contato com essa definição de casamento, me pus a refletir sobre o tema, e a buscar o que as Escrituras afirmam sobre a configuração matrimonial: que elementos deve haver em uma relação entre duas pessoas para que se configure um casamento?
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