out 28 2011

Afirmando a Verdade

O Fernando Frezza, em seu perfil no Facebook, publicou um texto em que Lutero fala sobre como ele buscava ensinar a Verdade acerca do que ele considerava um erro, no caso em questão,  a missa católica. Lutero faz observações importantes sobre como a Verdade deve ser afirmada, sem força ou violência, pois a pregação da Palavra é poderosa por si só. Considerei interessante reproduzir a fala de Lutero aqui, principalmente em dias de tanto engano como os nossos. Embora Lutero fale sobre a missa, tais princípios devem ser observado no combate a qualquer dos enganos contemporâneos das igrejas evangélicas.

“Todavia, o amor cristão não deve empregar aqui severidade nem forçar a coisa. Deve ser pregado e ensinado com a língua e a pena, que sustentar a missa de tal maneira é um pecado, mas ninguém deve ser arrastado para longe dela à força. A questão deve ser deixada com Deus: Sua Palavra deve sozinha fazer a obra, sem nosso trabalho. Por quê? Porque não está em meu poder modelar os corações dos homens como o oleiro modela o barro, e fazer com eles conforme me apraz. Não posso ir mais longe do que os ouvidos dos homens — seus corações eu não posso alcançar. E visto que eu não posso despejar fé em seus corações, não posso, nem devo, forçar alguém a ter fé. Que é exclusivamente obra de Deus, que faz com que a fé viva no coração. Portanto devemos dar livre curso à Palavra, e não adicionar nossas obras a ela”.

“Opus-me às indulgências e a todos os papistas, mas nunca pela força. Simplesmente ensinei, preguei, transcrevi a Palavra de Deus; não agi de outra maneira. E então enquanto eu dormia, ou tomava cerveja Wittenberg com meu Philip e com Amsdorf, a Palavra tão grandemente enfraqueceu o papado, que jamais um príncipe ou imperador infligiu tamanho dano sobre aquele. Eu nada fiz; a Palavra fez tudo… Pois é ela todo-poderosa e leva cativos os corações, e se os corações são capturados a má obra cai por si própria”.

“Portanto, deve ser um grave pecado não ouvir o evangelho e desprezar um semelhante tesouro e uma tão rica festa à qual somos convidados. Porém, é muito maior pecado não pregar o evangelho e permitir que tanta gente que alegremente o ouviriam pereça”.

Martinho Lutero

Fonte: http://monergismo.com/wp-content/uploads/Reforma_Pregacao_CJTerpstra.pdf


ago 23 2011

O divisionismo na Igreja brasileira

Autor: Robinson Cavalcanti
Fonte: Publicado com o título “A Igreja vive em pecado – III” no site da Diocese Anglicana do Recife.

O primeiro século do Protestantismo no Brasil ainda foi marcado pela era de uma relativa “sobriedade” quanto ao divisionismo. Somando-se os grupos migratórios e os missionários, de 1810 (Tratado de Livre Navegação e Comércio) a 1910, se estabeleceram aqui as seguintes “denominações”:

1. Luteranos;

2. Congregacionais;

3. Presbiterianos;

4. Batistas;

5. Metodistas;

6. Anglicanos/Episcopais.

Tivemos a criação, pelos irmãos presbiterianos Vieira Ferreira da autóctone e proto-pentecostal

(7) Igreja Evangélica Brasileira.

8. Igreja Cristã Evangélica (congregacionais imersionistas), em 1901, e, finalmente, o cisma (nacionalismo/questão maçônica), que fez surgir, em 1903, a

(9) Igreja Presbiteriana Independente (IPI).

A primeira metade do segundo século (1910-1960) foi marcada pela chegada do Pentecostalismo:

(10) Congregação Cristã no Brasil e

(11) Assembleia de Deus.

Na década de 1930, uma dissidência da Assembleia de Deus, no Nordeste, cria a

(12) Igreja de Cristo,

E uma dissidência da IPI, em São Paulo, cria a

(13) Igreja Presbiteriana Conservadora (IPC).

No pós-segunda Guerra Mundial, os ecos das lutas forâneas entre ecumenismo (agora hegemonizada pelos liberais) do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundamentalismo do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (CIIC) e evangelicalismo da Fraternidade Evangélica Mundial (WEF) têm um rebatimento também aqui, com a criação, no Nordeste, da

(14) Igreja Presbiteriana Fundamentalista (IPF).

O fundamentalismo igualmente nos chega com os

(15) Batistas Regulares.

Também no Nordeste, uma ala da Assembleia adere ao Calvinismo, e cria a

(16) Igreja Pentecostal Assembleia de Deus.

No meio Pentecostal, aporta aqui a Cruzada Nacional de Evangelização, com a

(17) Igreja do Evangelho Quadrangular,

Surge, de dissidentes dessa e da Assembleia de Deus, a partir do Estado de São Paulo, a nativa

(18) Igreja Evangélica Pentecostal “O Brasil para Cristo”.

De agora em diante, não dá mais para contar. A segunda metade do segundo século da presença protestante no Brasil (1960-2010) vai ser marcada por uma aceleração desenfreada do divisionismo denominacionalista. Primeiro com o chamado “Movimento de Renovação Espiritual”, de tendência pentecostal, que racha as principais e mais antigas denominações históricas (batistas, presbiterianos (IPB e IPI), congregacionais, metodistas e luteranos), gerando, inicialmente, a Convenção Batista Nacional (CBN), a Igreja Presbiteriana Renovada (IPR), a Aliança das Igrejas Congregacionais do Brasil (AICB), a Igreja Metodista Wesleyana (IMW), e a Igreja Luterana Renovada (ILR). Daí em diante esses grupos sofreram subdivisões, e começa a “criatividade brasileira”, com uma miríade de “denominações” pentecostais “made in aqui mesmo”, com os nomes mais“originais”, para dizer o mínimo. Por último, com a Teologia da Prosperidade e a Teologia da Batalha Espiritual “amorenadas”, nos vem o crescente fenômeno do neo(pseudo)pentecostalismo: Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD), Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD), e um número avassalador de divisões e subdivisões.

Igreja Romana conhecera os cismas da Igreja Brasileira (ICAB) e da Igreja Livre (hoje com o remanescente dito Independente), e daí não parou mais de surgir cismas“católicos” em cada esquina. Os Vétero-Católicos, que nunca vieram para o Brasil, olham espantados da Europa a quantidade de grupos que usam essa denominação entre nós. Os Adventistas do Sétimo Dia, além do cisma dos extremados Adventistas da Reforma, viram surgir o nativo e pentecostalizante Adventistas da Promessa. Até os Luteranos/Episcopais também começam a ver surgir grupos “continuantes”, “de convergência”, ou “independentes” (os anglicanos usam o termo “jurisdições” e não“denominações”), algumas formadas por quem nunca pos os pés em uma Igreja Anglicana. E aí nos vem o “movimento apostólico”, com seus apóstolos e apóstolas, o G-12, o M-12, além da importação de movimentos, métodos e macetes que o Tio Sam é pródigo em criar e exportar. Começam a surgir as combinações dentro da cultura “self-service” pós-moderna, como a Igreja Batista Renovada do Sétimo Dia ou a Assembleia do Reino de Deus. De 1989, para cá, após o caso do racha da Convenção de Madureira, afirma-se que houve mais de 100 cismas de Convenções e Ministérios da Assembleia de Deus.

Bem dizia Pero Vaz de Caminha, autor da primeira carta a El-Rei de Portugal, que em nossas terras “em se plantando tudo dá”, especialmente “denominações” de um Cristianismo dilacerado, animado pela “criatividade”, e se auto-enganando com o pensamento “pelo menos o evangelho está sendo pregado!”. Que “evangelho”, cara pálida!!?

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Observação do Pensando a Vida: O mais grave em toda essa explosão de divisões é a falta de sensibilidade de muitos cristãos em perceber que essa situação é uma grave afronta ao propósito de Deus e à oração de Jesus: “que eles sejam um a fim de que o mundo creia”. Que o Espírito Santo produza em nós o arrependimento necessário para que experimentemos a unidade do Corpo de Cristo.


dez 2 2010

Alegria e sofrimento

Está chegando o fim de ano na faculdade, e logo terei mais tempo disponível para me dedicar ao blog.

Hoje eu gostaria de deixar aqui alguns poucos versículos para te ajudar numa reflexão sobre a diferença entre o Cristianismo pregado pelos apóstolos no primeiro século e o Cristianismo pregado hoje. E após ler os versículos, seria bom se pensássemos em até que ponto nos alegraríamos em sofrer por Jesus. Leia e reflita.

“Eles pregaram as boas novas naquela cidade e fizeram muitos discípulos. Então voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, fortalecendo os discípulos e encorajando-os a permanecer na fé, dizendo: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrarmos no Reino de Deus”" (At. 14:21,22)

“De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Tm. 3:12)

“pois a vocês foi dado o privilégio de, não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Fp. 1:29)

“Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome” (At. 5:41)

“Mas alegrem-se à medida que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também, quando a sua glória for revelada, vocês exultem com grande alegria. Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês. Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios. Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome” (I Pe 4:13-16).

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set 14 2009

A propósito dos 200 anos de Robert Kalley

No último dia 08, celebrou-se os 200 anos de nascimento do médico e missionário escocês Robert Reid Kalley, um dos pioneiros da evangelização protestante no Brasil e em Portugal. Do lado de cá do Atlântico, Kalley estabeleceu o primeiro trabalho de evangelização de caráter permanente e em língua portuguesa, uma vez que as tentativas anteriores ou não tiveram continuidade, ou foram destinadas a estrangeiros residentes no Brasil.

Tendo em vista esses 200 anos, quero chamar a atenção para uma personagem da história do Dr. Kalley que, apesar de anônima, mudou sua trajetória de vida.

Kalley nasceu em uma família cristã. Sua mãe faleceu quando ele ainda era criança, e por isso foi criado por seu padrasto, de quem testemunhou dizendo: “Durante minha infância… fiquei debaixo da tutela de um homem de valor… ele foi para mim um verdadeiro pai”. Contudo, com o passar dos anos, Kalley se desfez de sua formação cristã, tendo abraçado o ateísmo declarado. Em certa ocasião, Kalley escreveu:

“Um coração mau e más companhias varreram tudo. As especulações da Filosofia e da Ciência (falsamente chamada) contrariavam todos os esforços do meu padrasto e cegaram o meu entendimento de tal maneira que não me era mais possível crer na existência de Deus. Parecia-me uma coisa nobre ser libertado da superstição e do fanatismo que a crença impunha à alma humana. Aqueles que faziam profissão de religião, eu considerava imbecis, ou, então, embusteiros, e desprezava-os a todos. Quando moço ainda, estudava várias ciências, admirava as maravilhas dos seres microscópicos, meditava na distância, a magnitude e na velocidade dos orbes. Vendo tudo isso, eu me achava impossibilitado de abraçar as idéia de um Deus, um Ser Supremo. Por muitos anos não cri em sua existência. Parecia-me impossível crer na real existência de um Ser, dotado de vida eterna, cuja ciência compreende tudo no universo e cujo poder impele os astros e, ao mesmo tempo, forma os delicadíssimos membros de um animalículo microscópicos”.

Contudo, o ano de 1835 foi marcado por uma profunda mudança na vida de Kalley: Ele abraçou a fé e tornou-se cristão. Mas como se deu essa mudança? Porto Filho relata a conversão da Kalley:

“Tinha sido chamado para atender a uma pobre e piedosa velhinha, presa de cruel e incurável enfermidade. Examinando-a, … ficou impressionado com o espírito de paciência e conforto íntimo com que a enferma suportava os sofrimentos …, e a tranquilidade com que via a morte aproximar-se inexoravelente. Terminada a visita e prestes a retirar-se, a doente pediu-lhe o favor de abrir o armário … e entregar-lhe o pão ali guardado e que lhe seria a refeição naquela hora. Ele o fez: encontrou um pedaço de pão seco, que depositou na mão da enferma. Esta, ao receber a migalha tão pobre, fechou os olhos, depois de um leve agradecimento ao Doutor, e deu graças a Deus pela comida. O médico sentiu um profundo abalo emocional: Como podia aquela anciã agradecer a Deus – ao seu Deus – por comida tão escassa e tão seca? Como podia ser tão tranqülila em tais desconfortos, tão serena e confiante em tantos sofrimentos? Procurou saber o motivo dessa atitude, … e ela, …declarou com toda a candura, que toda aquela paciência … vinha do fato de ser crente em Jesus e de sua leitura piedosa e diária das Santas Escrituras”.

Dez anos depois, Kalley declarou: “Quando senti, satisfeito, … que há um Deus, que este Livro (apontando para a Bíblia) é de Deus, então senti também que cada cristão é chamado a entrar naquele campo de atividade em que melhor possa usar para Deus todos os talentos que ele lhe deu. E, quanto a mim, tenho pensado de que maneira, como médico cristão, posso melhor servir ao Filho de Deus”

Essa velhinha anônima marcou profundamente a vida de Kalley. Com sua atitude demonstrou o supremo valor de Cristo. O Senhor Jesus é engrandecido quando lidamos com aquilo que temos de tal forma que fique claro e evidente ao mundo que nosso tesouro não estão nessas coisas, mas em Cristo. Portanto, na abundância de algo, devemos demonstrar que não estamos apegados a isso, mas a Cristo. E na escassez, devemos continuar demonstrando nosso apego à Cristo, expressando contentamento, pois nEle somos completos, plenos.

Afinal, de nada valerá estar preparado para responder a razão da esperança que há em nós, se o mundo não enxergar em nós uma esperança diferentes (I Pedro 3:15). O mundo não pedirá a razão da nossa esperança se não perceber que nossa esperança não está nas coisas visíveis. Se nossa esperança se resumir apenas às coisas terrenas, somos os mais miseráveis dentre os homens. Mas, podemos por nossos olhos em Deus e expressar ao mundo o supremo valor e  grandeza que Cristo se tornou para nós.

Anderson Paz

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Para prosseguir com essa reflexão, sugiro o vídeo abaixo, de John Piper.


ago 28 2009

Jovens Moravianos

O que significa ser cristão?

Extraído do blog Voltemos ao Evangelho

Uma história de amor a Deus

“Iniciado em Hernhut, Alemanha no século 18, o movimento de oração continua (24 horas) chamado Moravianos durou por quase 100 anos, e eles não oravam por aquilo que não estavam dispostos a ser a resposta.

Dois jovens Moravianos, de 20 anos ouviram sobre uma ilha no Leste da Índia cujo dono era um Britânico agricultor e ateu, este tinha tomado das florestas da África mais de 2000 pessoas e feito delas seus escravos, essas pessoas iriam viver e morrer sem nunca ouvirem falar de Cristo.

Esses jovens fizeram contato com o dono da ilha e perguntaram se poderiam ir para lá como missionários, a resposta do dono foi imediata: ” Nenhum pregador e nenhum clérico chegaria a essa ilha para falar sobre essa coisa sem sentido”. Então eles voltaram a orar e fizeram uma nova proposta: “E se fossemos a sua ilha como seus escravos para sempre?”, o homem disse que aceitaria, mas não pagaria nem mesmo o transporte deles. Então os jovens usaram o valor de sua propria venda para custiar sua viagem.

No dia que estavam no porto se despedindo do grupo de oração e de suas familias o choro de todos era intenso, pois sabiam que nunca mais veriam aqueles irmãos tão queridos, quando o navio tomou certa distância eles dois se abraçaram e gritaram suas ultimas palavras que foram ouvidas: “QUE O CORDEIRO QUE FOI IMOLADO RECEBA A RECOMPENSA DO SEU SOFRIMENTO”.

Estou convencido que não devo orar se não estou disposto a ser resposta pelo o que estou orando. “… Deus é poderoso pra fazer muito mais…. de acordo com Seu poder que opera em nós” (Ef. 3:20)


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