out 18 2011

Quanto custa um deputado no Brasil?

Quem acompanha o Pensando a Vida sabe que política não é um tema comum aqui. Nestes mais de três anos e meio de atividades no blog, o pouco que escrevi sobre o tema se resume a 6 posts, todos tratando da relação Igreja/Política:

- Evangélicos e seus parlamentares (15/10/09)

- O que os apóstolos diriam? (26/07/10): sobre a participação de pastores no processo eleitoral.

- Carta aos evangélicos eleitos (18/10/10)

- Eles terão que nos respeitar… Será? (28/10/10)

- O governo Dilma e os evangélicos (1) e O governo Dilma e os evangélicos (2): respostas à uma pergunta sobre o posicionamento da população evangélica com a eleição de Dilma Rousseff para a presidência da República.

Com o vídeo abaixo, que trata do custo de cada parlamentar no Brasil, não tenho a intenção de despertar qualquer tipo de revolta ou murmuração. Muito pelo contrário, quero reforçar o nosso dever, enquanto cristãos, de orar pelas autoridades. Contudo, com o vídeo pretendo apenas informar sobre uma realidade de nosso país, e animar a cada leitor, ao comparecer às urnas, a encarar com seriedade sua decisão.

Em Cristo,

Anderson Paz


jun 5 2011

Proteção aos pequenos indígenas: uma conquista.

Fonte: site da Ultimato

O Projeto de Lei 1057/2007, conhecido como Lei Muwadji, foi aprovado unanimemente ontem (01/06) pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O PL tem como objetivo proteger crianças indígenas brasileiras com deficiência física ou mental, gêmeas, filhas de mãe solteira ou que, por outras razões determinadas pela tradição de cada povo, estejam em situação de risco de morte.

Segundo a ONG ATINI – Voz pela Vida, criada em 2006 em favor do direito da criança indígena, em algumas etnias ainda há o risco de as crianças serem rejeitadas, abandonadas na mata ou mortas por membros da própria família devido à pressão interna da comunidade. Há relatos de mais de duzentas crianças mortas nessas condições.

De autoria do deputado Henrique Afonso (PT-Acre), a lei estabelece que “é dever de todos que tenham conhecimento das situações de risco, em função de tradições nocivas, notificar imediatamente as autoridades acima mencionadas, sob pena de responsabilização por crime de omissão de socorro, em conformidade com a lei penal vigente, a qual estabelece, em caso de descumprimento, detenção de um a seis meses ou multa”, conforme o artigo 4º do projeto.

O PL não criminaliza membros de comunidades indígenas que intentarem contra a segurança das crianças por entender que isso faz parte da manifestação da sua cultura. A principal consequência será para indivíduos externos à cultura que, conscientes da ameaça, não fizerem denúncias a respeito, o que será classificado como crime de omissão. Da mesma forma, aqueles que impedirem atos de infanticídio não serão condenados, visto que o direito humano à vida se sobrepõe à expressão da tradição.

Batizada em nome da coragem
A Lei Muwaji, como é chamada, foi batizada em homenagem à mãe Suruwahá de mesmo nome. De acordo com a tradição da etnia, sua filha, que nasceu com paralisia cerebral, teria de ser morta. Para salvar a filha, Muwaji decidiu abandonar a tribo e hoje vive na “Casa das Nações”, uma comunidade indígena multicultural mantida pela ATINI, no Distrito Federal.

O primeiro rascunho do texto da Lei foi feito pelo pastor e líder indígena Eli Ticuna, que é também o diretor-adjunto da ATINI. “Nossa função é ajudar aqueles que querem salvar seus filhos. Isso é um direito fundamental. O objetivo do PL não é penalizar. Tudo o que o ser humano constrói faz parte da cultura. Há práticas culturais boas e há práticas nocivas, como o infanticídio”, afirmou Ticuna.

Qual é a sua opinião sobre o tema?
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nov 2 2010

O governo Dilma e os evangélicos (2)

Continuação do post O governo Dilma e os evangélicos (1)
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@brauliaribeiro Ganhe quem ganhar uma certeza podemos ter: O presidente não é a resposta p/ os problemas do Brasil. Nós somos.

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O processo eleitoral mostrou também a capacidade de mobilização de segmentos da população evangélica quando se trata de preservar sua liberdade religiosa. Uma enxurrada de e-mails foi disseminada conclamando o povo evangélico a não votar em Dilma Rousseff, visto que a candidata seria favorável à PL 122 (lei da homofobia), o que colocaria em risco a liberdade de crença, além do fato de que ela seria favorável ao aborto.

Contudo, fico a pensar no seguinte: os evangélicos demonstraram grande mobilização em defender sua liberdade, que talvez ficaria em risco com a eleição de Dilma, mas não se vê nada semelhante por parte de muitos evangélicos quanto à condenação de certas práticas pecaminosas que permeiam nossa sociedade. Não se vê, por exemplo, a disseminação de informações acerca de candidatos acusados de corrupção. E todos os dias crianças morrem nesse país pois a verba que poderia ser destinada à saúde vaza pelos ralos da corrupção. Ora, se a divulgação de dados sobre Dilma teria como propósito defender os valores do Reino de Deus, seria interessante que isso se fizesse também em relação a políticos que se encontram presos a pecados como o da corrupção.

Toda a mobilização anti-Dilma mostra o quanto os evangélicos brasileiros são capazes de agir em favor de sua liberdade. Mas, como seria bom se aplicassem igual ânimo em promover os valores do Reino de Deus em todas as dimensões sociais. Não quero com isso defender um envolvimento institucional da Igreja com o processo político. Desejo apenas que cada cristão desse país se comprometa a ser a resposta que nosso povo precisa, a qual não está nos políticos. Afinal, Cristo em nós é a esperança da glória.

Não sejamos medíocres atuando apenas para promover nossa liberdade religiosa. Atuemos sempre para promover a liberdade que há em Cristo Jesus, por meio da pregação do Evangelho, mesmo que para isso não tenhamos liberdade religiosa.

Diante de um possível risco de termos a liberdade de crença limitada, deveríamos transmitir a mesma certeza, convicção, tranquilidade e confiança que os amigos de Daniel transmitiram ao rei Nabucodonosor antes de serem jogados na fornalha: “Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das suas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos seus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer” (Dn. 3:17,18).

Post anterior O governo Dilma e os evangélicos (1)

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nov 1 2010

O governo Dilma e os evangélicos (1)

@andersonpaz Apesar de nossas posições individuais, Dilma é agora a presidente eleita do Brasil. Que Deus lhe conceda graça e sabedoria. #Oremos

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Na madrugada de hoje, assim que tuitei a frase acima, recebi um pedido da @MissWesleyana para comentar a nova realidade do nosso país a partir de uma perspectiva bíblica.

Talvez, o que vou dizer aqui não agrade a todos, pois não parece em nada inovador. Alguns podem discordar de mim e considerar-me conservador. Mas, como “minha consciência está cativa à Palavra de Deus” (utilizando-me de uma frase de Lutero), não posso falar qualquer coisa sobre o resultado dessas eleições sem partir da verdade contida em Romanos 13:1 – “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas”.

É interessante e surpreendente observar que a afirmação de Paulo surge num contexto em que havia perseguição contra a Igreja, perseguição da qual o próprio Paulo se tornaria vítima. E ainda assim, Paulo não se demove da fé de que Deus é Soberano, e que as autoridades são constituídas por Ele.

A declaração de Paulo não está isolada no Novo Testamento, mas encontra ressonância nas palavras de Pedro, apóstolo que também seria vítima da perseguição movida pelas autoridades: “Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens” (I Pe. 1:13a). Além disso, esse ensino parte do próprio Senhor Jesus, quando disse a Pilatos: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima” (Jo. 19:11).

Deus é soberano, e não vou tentar reduzir Sua soberania por causa de minhas posições políticas individuais. E, como declarou a senadora Marina Silva, com brilhantismo e sabedoria: “A ministra Dilma era a candidata de uma parte dos brasileiros. A partir de agora, é a presidente eleita de todos nós nos próximos 4 anos”.

Uma vez que Dilma será a presidente do Brasil, qual é a nossa responsabilidade para com ela? Paulo responde isso dizendo:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranqüila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador” (I Tm. 2:1-3).

Temos o mandamento apostólico para que oremos pelas autoridades.

Durante essas eleições, vimos a participação ativa de alguns segmentos evangélicos tentando impedir a eleição de Dilma. Foi intensa a divulgação de informações, muitas delas verdadeiras, nem todas precisas, e algumas até mesmo falsas, contra Dilma. Contudo, fico pensando em como seria bom se cada pessoa que se declara evangélica passass a orar pelas autoridades, inclusive a Dilma e seu vice, Michel Temer, com igual ou maior intensidade com que se dedicaram a fazer campanha anti-Dilma. Nunca vi tanta mobilização por parte dos evangélicos para tentar inviabilizar uma candidatura, mas infelizmente nunca vi mobilização igual para interceder pelas autoridades.

Continua no post O governo Dilma e os evangélicos (2).

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out 18 2010

Carta aos evangélicos eleitos

Aos evangélicos eleitos como deputados e senadores no último dia 03 de outubro.

Excelentíssimos senhores,

O resultado da eleição revelou um crescimento de 47% da bancada evangélica. O número de evangélicos no Congresso Nacional saltou de 43 para 71 parlamentares, sendo 68 deputados federais e 3 senadores. Isso significa que essa bancada saiu das eleições com o mesmo número de parlamentares do PSDB, e só perde agora para as bancadas do PT e do PMDB, partidos com o maior número de representantes no Congresso.

Acredito que vossas excelências, enquanto cristãos, têm um importante papel a desempenhar na política nacional e podem dar uma valiosíssima contribuição ao nosso país. Contudo, acredito que não lograrão êxito nessa contribuição se não observarem certos princípios e práticas indispensáveis ao parlamentar cristão. Em uma contribuição aos vossos mandatos, descrevo abaixo esses princípios:

- Lembrem-se de Neemias, que diante do quadro e pobreza e opressão de seu povo, se posicionou em não comer a comida destinada ao governador, ainda que lhe era lícito (Ne. 5:14,15). Não usem a posição que alcançaram em benefício próprio. Não vivam a desfrutar das benesses do poder. Atuem em favor dos milhões que, apesar dos avanços sociais dos últimos anos, ainda vivem na miséria;

- Lembrem-se e apliquem em suas atividades os conselhos que a mãe do rei Lemuel: “Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados” (Pv. 31:8,9). Não reduzam suas atividades parlamentares à reprovação do aborto e do casamento gay. Nosso país tem muitos outros problemas. Atuem sempre em nome de justiça, da justiça do Reino de Deus (Mt. 6:33);

- Lembrem-se de Esdras, que em seu caminho de volta à Jerusalém, pede a Deus uma viagem segura e diz “tive vergonha de pedir soldados e cavaleiros ao rei para nos protegerem dos inimigos na estrada, pois tínhamos dito ao rei: “A mão bondosa de nosso Deus está sobre todos os que o buscam”" (Ed. 8:22). Não atuem para defender os interesses da Igreja, pois esta já tem quem a defenda: o próprio Deus. É vergonhoso para Igreja se tornar dependente dos benefícios do poder político. Por isso, não façam de suas funções um  meio para atender a interesses de suas denominações e grupos eclesiáticos. Como já disse, atuem sempre em favor da justiça;

- Sejam sempre modelo de ética, integridade e honestidade. Atuem com seriedade, sendo uma inspiração ao povo brasileiro, para que este não brinque com seu voto entregando-o a personagens como Tiririca;

- Não se preocupem com leitura pública da Bíblia nas sessões legislativas. Não tenham a mesma preocupação dos vereadores que certa cidade que aprovaram uma lei obrigando a leitura de trechos da Bíblia na abertura das sessões da Câmara. Não apliquem força em projetos similares a esse, até mesmo porque a mera leitura da Bíblia, sem a disposição dos corações em praticá-la, não produzirá efeitos. Também não se preocupem com orações públicas nas sessões, posto que os fariseus também gostavam muito desse tipo de prática. Lembrem-se de Daniel, e cultivem sempre uma vida privada de oração. Em suas atividades no Congresso, cultivem uma atitude interior de oração. Sugiro que meditem na oração abaixo, realizada na Câmara dos Comuns, no Parlamento Inglês, no século XVII:

“Deus todo-poderoso, por quem exclusivamente vem todo conselho, sabedoria e entendimento; nós, teus indignos servos, aqui reunidos em teu nome, com a máxima humildade te imploramos para nos enviar lá do alto a tua sabedoria celestial, para dirigir-nos e guiar-nos em todos os nossos debates; e concede-nos que, tendo sempre teu temor diante dos olhos e deixando de lado nossos interesses, preconceitos e parcialidades, o resultado de todas as nossas discussões possa glorificar teu bendito nome” [1].

Espero que com esta carta eu possa oferecer uma contribuição à aos vossos mandatos.

De um cristão e cidadão brasileiro,

Anderson Paz

[1] -Citado por Philip Yancey, no seu livro “Oração – Ela faz alguma diferença?” São Paulo: Editora Vida, 2006, p. 31. Via blog Canto do Jo.
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