nov 22 2010

O Príncipe da Paz traz a espada? (4)

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Este é o quarto e último post da série. Ao longo desse tempo nós constatamos que a aparente contradição entre a fala de Jesus em João 14:27 (Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou) e em Lucas 14:51 (Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo. Pelo contrário, vim trazer divisão!), resolve-se da seguinte forma: Jesus veio para nos assegurar a paz com Deus, uma vez que éramos por natureza Seus inimigos, e a condição de paz é nossa rendição plena e incondional ao Reino de Deus. Contudo, a condição da paz com Deus pode se tornar motivo de perseguição por parte dos homens. Afinal, Jesus disse: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt. 10:37).

A paz com os homens, embora nem sempre seja possível, sempre deve ser buscada, como Paulo diz em Rm. 12:18 – “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”. Mas, até que ponto isso depende de nós? Nessa busca pela paz, o que está ao nosso alcance? Acredito que a resposta seja simples, pois o próprio contexto de Rm 12:17-21 explica:

Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos. Façam todo o possível para viver em paz com todos. Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Pelo contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”.  Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.

Para viver em paz com todos os homens, o que está ao nosso alcance é não tomar vingança, é vencer o mal com bem. Como disse o próprio Senhor: “Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem” (Mt. 5:44). Depende de nós o agir como Jesus, que “quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (I Pe. 2:23).

Só quando chegamos nesse ponto, podemos dizer que fizemos de tudo para ter paz com os homens. Enquanto não chegarmos aí, ainda não podemos dizer que esgotamos as possibilidades. Infelizmente, muitas de nossas guerras e conflitos, não são resultados de nossa obediência à Jesus, mas de nossa recusa em obedecê-lo e seguir seu modelo.

Que andemos sempre nos passos de Jesus, pois afinal, “aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou” (I Jo. 2:6).

Em Cristo,

Anderson Paz

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nov 16 2010

O Príncipe da Paz traz a espada? (3)

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Por que Jesus , em certo momento disse que não veio trazer paz à terra, mas veio trazer a espada (Lc. 12:51), e em outra ocasião disse que deixava conosco Sua paz (Jo. 14:27)? Nos posts anteriores desta série já foi esclarecido que Jesus veio, primeiramente, nos oferecer a possibilidade de estarmos em paz com Deus, posto que éramos por natureza Seus inimigos. Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo (II Co. 5:19). Através da nossa rendição, da nossa entrega ao governo de Jesus, ao Reino de Deus, passamos a ter paz com Deus. Uma vez desfrutando dessa paz, reconciliados com o Pai, através da confiança e esperança em Deus podemos desfrutar a paz de Deus, aquela que guarda nossas mentes e corações (Fp. 4:7)

Contudo, quando Jesus diz que não veio trazer paz à terra, certamente Ele está se referindo à paz com os homens. Afinal,  nos versículos seguintes Jesus prossegue dizendo: “Porque daqui em diante estarão cinco divididos numa casa: três contra dois, e dois contra três. O pai estará dividido contra o filho, e o filho contra o pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; a sogra contra sua nora, e a nora contra sua sogra” (Lc. 12:52,53).

Precisamos compreender que a decisão de  seguir a Jesus, ao mesmo tempo que significa nossa reconciliação com Deus, pode resultar em certas rupturas com os homens. Exemplo disso foi a atitude dos apóstolos que, ao receberem ordens das autoridades para não falarem mais no nome de Jesus, declararam: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens!” (At. 5:29).  As vezes essas rupturas dizem respeito às pessoas a quem mais amamos, como a nossa família. Afinal, o próprio Senhor disse: “Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt. 10:37). Certamente os cristãos perseguidos têm muito nos ensinar sobre esse tema. Todavia, mesmo nos lugares em que não há perseguição oficial, a decisão de seguir a Jesus implica em certas rupturas, afinal, Jesus disse: “nenhum escravo é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também perseguirão vocês. Se obedeceram à minha palavra, também obedecerão à de vocês” (Jo. 15:20). E Paulo nos lembra que “todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (II Tm. 3:12).

Essas verdades precisam ser lembradas para compreendermos  o mandamento que diz: “se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm. 12:18). Nem sempre a paz é uma possibilidade, mas buscá-la é sempre um mandamento. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12 : 14).

No próximo post abordaremos o quanto depende de nós a paz com todos os homens.


nov 14 2010

O Príncipe da paz traz a espada? (2)

Nesta série de posts estamos discorrendo sobre a aparente contradição que haveria entre a afirmação de Jesus em Jo. 14:27 (“Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou”) e em Lc. 12:51 (“Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”). No post anterior já foi esclarecido que antes de tudo, Jesus veio nos oferecer a paz com Deus, a reconciliação com Ele, tendo em vista que, por natureza, éramos filhos da ira e da desobediência, vivíamos em estado de guerra constante contra Deus. E a condição de paz é a nossa rendição plena, total e incondicional ao Reino de Deus, ao Senhor Jesus.

Já neste post, minha intenção é falar sobre uma das consequências da paz com Deus, que é a paz de Deus, da qual Paulo fala em Filipenses 4:7

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”.

Como resultado de recebermos a paz com Deus, alcançamos a possibilidade de desfrutarmos da paz de Deus. É a esta paz que Jesus se refere em João 16:33 - “Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo”. É a paz que nos permite experimentar quietude interior, mesmo quando as coisas não estão bem ao nosso redor.

Primeiramente, precisamos compreender que só experimentamos essa paz à medida que o alvo de nossas vidas é o Reino de Deus: “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas” (Mt. 6:33). Nesse contexto, Jesus está falando que não devemos andar ansiosos ou aflitos pelas necessidades desta vida (comer, beber e vestir), mas devemos tão somente fazer a vontade de Deus (Reino de Deus), que o resto é com Ele mesmo.

Experimentamos a paz de Deus à medida que nos despreocupamos com as coisas da vida, e focamos tão somente em realizar  vontade do Senhor. Temos desejos quanto à esta vida? Sim. E temos desejos legítimos? Sim. Contudo, quanto a isso, Paulo nos diz: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus … guardará os seus corações” (Fp. 4:6,7).  Já Pedro, em sua carta, nos ensina: “Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (I Pe. 5:7).

A Paz de Deus é resultado de uma vida de oração, de se alimentar das verdades da Palavra e de busca de plenitude em Deus. Ela demanda de nós exercícios práticos, indispensáveis para quem leva a sério a vida cristã. A Paz de Deus não representa a resolução de nossos problemas e sofrimento, mas consiste na resolução de nossos corações frente a eles.

No próximo post da série abordaremos a razão de Jesus ter declarado que não veio trazer a paz, mas a espada.

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out 30 2010

O Príncipe da Paz traz a espada?

“Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada” (Lc. 12:51 NVI).

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Parece estranho encontrar as palavras acima sendo ditas por aquele de quem a profecia falava: “E ele será chamado … Príncipe da Paz” (Is. 9:6). E ainda mais estranho é o fato de que Ele mesmo disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou” (Jo. 14:27). Isso não seria um comportamento contraditório de Jesus? Não, de forma alguma. Antes de tudo, precisamos entender que tipo de paz nos é dada por Ele.

Paulo, em Romanos 5:1, tem muito a nos dizer sobre essa paz: “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. NEle temos paz com Deus. E por que precisamos de ter paz com Deus? Necessitamos disso pois, por natureza, estamos em estado de constante guerra e rebelião contra Deus. Isso se encontra presente em todas as Escrituras. Éramos por natureza filhos da ira e da desobediência (Ef. 2:1-3), inimigos de Deus (Cl. 1:21), merecedores de castigo. Fazíamos parte do império das trevas (Cl. 1:13). Mas Jesus veio e nos deu a oportunidade de entrarmos em paz com Deus, para que esse estado de guerra tenha um fim.

E quando entramos em paz com Deus?

Jesus responde isso claramente em Lucas 14: 31,32

… qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil? Se não for capaz, enviará uma delegação, enquanto o outro ainda está longe, e pedirá um acordo de paz. Da mesma forma, qualquer de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” .

Jesus veio anunciando que o Reino de Deus estava próximo, e deixou clara a condição para estarmos em paz com esse Reino: rendição plena, completa, total. Depois de ressurreto, e tendo recebido todo o poder nos céus e na terra, ordenou aos seus discípulos que fizessem outros discípulos, dentre todas as nações. Discípulos são pessoas que se dedicam a obedecer tudo o que Jesus ordenou, que renunciaram a tudo por amor a Ele.

Através de uma entrega total a Jesus entramos em paz com Deus. Afinal, esse foi o propósito da morte e ressurreição de Jesus: Ser Senhor sobre todos e sobre tudo:

Por esta razão Cristo morreu e voltou a viver, para ser Senhor de vivos e de mortos” (Rm. 14:9).

E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (II Co. 5:15).

Paz com Deus! Esse é o melhor presente que poderíamos receber. Temos a oportunidade de nos reconciliar com o Pai. Mas, o que essa paz tem a ver com a afirmação de que Jesus veio trazer a espada? Em que essa paz afeta nossa paz com as outras pessoas? Esse tema será abordado nos próximos posts.

Em Cristo,

Anderson Paz


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