ago 21 2011

Como somos tão dependentes…

No sétimo capítulo de seu livro “O discípulo radical” [1], John Stott, falecido recentemente aos 90 anos, fala sobre como sua experiência com a enfermidade e a velhice o levaram a compreender melhor que a dependência é uma marca na vida do discípulo de Jesus. Somos dependentes da graça de Deus e precisamos dos canais por onde essa graça nos alcança: as pessoas. A medida que crescemos na vida cristã, nos tornamos mais dependentes. Dependência é sinal de maturidade.

Quero compartilhar com vocês a reflexão de Stott nos dois últimos parágrafos do capítulo:

“Às vezes ouço pessoas idosas – incluindo cristãos, que deveriam ter mais entendimento -, dizerem: “Não quero ser um peso para ninguém. Estou feliz em continuar vivendo enquanto puder cuidar de mim, mas se eu vier a me tornar um peso, prefiro morrer”. Isto está errado. Todos nós estamos destinados a ser um peso para outros. Você está destinado a ser um peso para mim e eu estou destinado a ser um peso para você. E a vida familiar, incluindo a vida da família da igreja local, deveria ser de “responsabilidade mútua”. “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo”  (Gl 6.2).

O próprio Cristo provou da dignidade da dependência. Eles nasceu como um bebê, totalmente dependente do cuidado da mãe. Precisou ser alimentado, trocado e apoiado para não cair. Mesmo assim, ele nunca perdeu a dignidade divina. E no final, na cruz, ele mais uma vez tornou-se totalmente dependente, com os membros perfurados e esticados e incapaz de se mover. Assim, na pessoa de Cristo, aprendemos que a dependência não é, não pode, destituir uma pessoa de sua dignidade, de seu valor supremo. E se a dependência foi adequada para o Deus do Universo, certamente é apropriada para nós”.

[1] – Publicado pela Editora Ultimato


ago 18 2011

Amor duradouro


Autor: J. I. Packer
Fonte: O Conhecimento de Deus ao Longo do Ano (Editora Ultimato)

“Dêem graças ao Senhor, porque ele é bom. O seu amor dura para sempre!” (Sl. 136.1)

Uma vez conheci uma família em que o filho mais velho fora adotado em uma fase em que os pais pensavam não poder ter filhos. Quando, mais tarde, chegaram os filhos naturais, eles desviaram toda a sua afeição para eles, e o filho mais velho, adotivo, foi deixado de lado. Era doloroso ver aquilo e, julgando pelo olhar no rosto do filho mais velho, também era dolorosa sua experiência. Era, de fato, um fracasso infeliz daqueles pais.

Mas na família de Deus, essas coisas não acontecem. Deus nos recebe como filhos e filhas, e nos ama com o mesmo amor imutável que ele tem eternamente por seu amado Filho Unigênito. Não há nenhuma distinção de afeto na família de Deus. Todos nós somos amados tão plenamente como Jesus é amado.

É como um conto de fadas — o rei adota crianças abandonadas e as transforma em príncipes e princesas do seu reino. Mas, louvado seja Deus, este não é um conto de fadas. É um fato certo e definitivo, fundamentado na certeza da graça livre e soberana de Deus. Isto, e nada menos que isto, é o que significa a nossa adoção como filhos de Deus.


jul 24 2011

Servindo graça

Paulo nos lembra que a vida cristã começa pela graça ao nos dizer “pela graça sois salvos” (Ef. 2:8). Mas também afirma que ela é sustentada pela graça, pois “a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tt. 2:10,11).

Dependemos da graça de Deus para tudo. Por isso, somos chamados a nos aproximar do trono da graça (Hb. 4:16), e a não nos privarmos dela (Hb. 12:15). Somos responsáveis por manter livres e limpos os canais por onde a graça nos alcança.

E quais são os canais ou meios de graça? Poderíamos falar da Palavra e da oração, entre outros. Contudo, há um meio de graça para o qual minha atenção tem sido despertada nestes dias. Pedro trata desse canal ao dizer: “Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pe. 4:10).

Despenseiro é o encarregado pela dispensa, o servo responsável por prover o alimento aos seus conservos. Portanto, somos responsáveis por prover graça aos nossos irmãos. Há uma porção da graça que Deus quer distribuir através de nós. E há também porções da graça que só nos alcançam através de nossos irmãos. A Igreja é um meio de graça. Conhecedor dessa realidade, o autor da carta aos Hebreus nos ensina: “Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hb. 10:25).

Há uma parcela da graça que Deus tem para você que só será encontrada em meio à Igreja, e que não será encontrada de outra forma. Quis Deus que fosse assim ao nos reunir em um só Corpo. Por isso, viva relacionamentos profundos, íntegros e verdadeiros dentro do Corpo de Cristo. Não se conforme com a superficialidade. Receba a graça e seja um canal de graça. Não se prive daquilo que Deus tem para você.

Em Cristo,

@AndersonPaz


jun 8 2011

Afinal, a vida tem algum propósito? – Parte 8

Afinal, a vida tem algum propósito? – Parte 7

Nosso tema até aqui foi a apresentação do que a Bíblia nos mostra sobre o propósito eterno de Deus. Constatamos que Deus quer reunir todas as coisas em Cristo, formando uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus: a Igreja. Contudo, agora se faz necessário refletir se nossa prática corresponde ao que sabemos na teoria. Acerca disso, quero retomar aqui um trecho de um post que escrevi há três anos, “O que Deus quer da Igreja”:

“…  será que nossa prática é coerente com o que sabemos? Será que nossos pensamentos sobre a Igreja se harmonizam com os pensamentos de Deus? Nestes últimos dias descobri uma forma de me avaliar quanto ao assunto, de saber se os meus pensamentos sobre a Igreja se harmonizam com os pensamentos de Deus, e se de fato a Igreja é minha família (pois é isto que Deus quer). Fiz essa auto-avaliação através de duas reflexões, e descobri que ainda preciso experimentar muito mais da Igreja como família. Sugiro que você faça a mesma auto-avaliação, porque com certeza fará bem a você, assim como fez para mim. Reflita nas seguintes perguntas:

1. Dedique algum tempo para pensar sobre a família ou pelo menos no que deveria ser uma família (já que muitas pessoas cresceram sem família ou em lares destruídos). Quando você pensa em uma família, quais são as primeiras imagens e lembranças que vêm à sua mente? Não falo de palavras, falo de imagens.

Talvez você lembre do carinho de seus pais, da companhia, amizade e brincadeiras com seus irmãos, do tempo que vocês passaram rindo e também chorando, dos conselhos e ensinos que seus pais te deram, da sala de estar ou da cozinha, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa, das festas de aniversário, de quando você tinha que arrumar a casa, das disciplinas e das correções dos seus pais, dos problemas que todas as famílias têm, mas que deveriam e devem ser resolvidos etc.. Enfim, são muitas as lembranças e imagens.

2. Agora, dedique um tempo para pensar sobre a Igreja. Quando você pensa na Igreja, que imagens vêm à sua mente? Talvez você pense em um templo, nos cultos, nas pregações, na música, no dia da tua conversão ou do teu batismo, na escola dominical, em reuniões tanto no templo como nas casas, reuniões de oração e de estudo bíblico, das células, de momentos de alegria nos quais você foi tocado por Deus etc..

Agora que você refletiu nas duas perguntas que fiz, tenho algo pra compartilhar: Nossa compreensão da Igreja como família só estará completa no dia em que a palavra Igreja e a palavra Família nos levarem a pensar nas mesmas coisas, pois Igreja é Família.

Nossos pensamentos estarão harmonizados com os pensamentos de Deus quando ao ouvirmos a palavra Igreja pensarmos no carinho dos irmãos, da companhia, amizade e brincadeiras, no tempo passado juntos rindo, chorando ou simplesmente conversando, dos conselhos, ensinos e da Palavra de Deus compartilhada (‘A palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda a sabedoria; ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais,louvando a Deus com gratidão em vossos corações’ – Cl. 3:16), da sala de estar ou da cozinha da casa dos irmãos ou de sua própria casa, daquele almoço especial e daquela sobremesa deliciosa (‘… comiam juntos com alegria e singeleza de coração’- At. 2:46), das festas (Afinal, a Bíblia fala sobre as festas de Amor), das repreensões e das disciplinas (sempre buscando a restauração), dos problemas que as vezes surgem, mas que precisam ser tratados com confissão, perdão e humildade etc… E tudo isso cercado de oração, da Palavra e da presença de Jesus, pois, afinal, onde há dois ou três reunidos em Seu nome, aí Ele está presente, não importando o lugar”.

Uma vez revelados de que Deus quer fazer de nós uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus, abracemos esse propósito de todo o coração. Mergulhemos na vontade de Deus para nós, tendo a firme confiança de que Aquele que começou a boa obra em nós é fiel para completá-la até o dia de Cristo Jesus.

Nele,

Anderson Paz

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jun 3 2011

Afinal, a vida tem algum propósito? – Parte 5

Afinal, a vida tem algum propósito? – parte 4

Reconhecer Jesus como Senhor não é algo que se expressa apenas por palavras. Quem tem Jesus como Senhor demonstra isso através da obediência aos seus mandamentos. É por isso que Jesus diz: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt. 7:21). E: “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (Lc. 6:46).

Uma vez rendidos ao Senhorio de Jesus, somos inseridos no propósito de Deus. Mas, que propósito é esse? O que Deus quer de nós? Em Romanos 8:28,29, Paulo nos diz:

“Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”.

À luz do texto acima, e de muitos outros do Novo Testamento, vemos que o propósito de Deus é a formação de uma família (onde Jesus é o primogênito), de muitos filhos, semelhantes a Jesus.

Do meio da raça humana, Deus levantou uma nova raça através do novo nascimento. Todo aquele que recebe a Jesus como Senhor se torna filho de Deus: “aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (Jo. 1:12). E aquele que é filho de Deus passa a fazer parte de Sua família: “Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus”(Ef. 2:19). Como filhos de Deus, somos chamados não apenas a amá-lo, mas a amar também todo aquele que dele é nascido (I Jo. 5:1), amar uns aos outros como Cristo nos amou (Jo. 13:34), dando a vida em favor dos nossos irmãos (I Jo. 3:16).

Além disso, juntos perseguimos o alvo de sermos semelhantes a Jesus. Afinal, “aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou” (I Jo. 2:6). Isso não é algo opcional na vida de um cristão. A busca por ser semelhante a Jesus é o conteúdo da palavra cristão. Como cristãos nosso alvo é vivermos como Cristo. Jesus afirmou que devemos aprender dEle, que é mando e humilde de coração (Mt. 11:29). Além disso, Ele nos mandou amar uns aos outros como Ele nos amou (Jo. 13:34), a servirmos como Ele serviu (Jo. 13:14). Paulo nos diz que fomos escolhidos para sermos santos e irrepreensíveis (Ef. 1:4), e Pedro nos ensina que, assim como é santo Aquele que nos chamou, nós também devemos ser santos em todo o nosso procedimento (I Pe. 1:15,16).

Uma vez que nos rendemos ao Senhor Jesus, perseguimos esse alvo: sermos uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus, para o louvor da glória do Pai.

Continuaremos a tratar desse tema no próximo post.

Em Cristo,

Anderson Paz

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