jun 2 2011

Homofobia: não cabe ao cristão discriminar

Autor: Elben M. Lenz César

Fonte: Site da Revista Ultimato

Além de não poder praticar nem dar seu aval à conduta sexual adulterina e à homossexual, o cristão precisa aprender a arte da convivência com aqueles que as praticam. Por ter se comprometido espontaneamente com Cristo ao se converter, o cristão é membro de uma comunidade cristã e responsável por seu comportamento e testemunho. Porém, ele não é retirado do mundo, da sociedade no meio da qual vive. Segundo Paulo, o cristão não deve ficar separado dos não-cristãos, que vivem a seu bel-prazer. Para viverem separados, os cristãos “teriam de sair deste mundo” (1Co 5.10, NTLH), atitude com a qual Jesus não concorda. Na oração sacerdotal do Cenáculo, Jesus é claro: “Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno” (Jo 17.15, NTLH). Retirado do mundo, o cristão jamais seria “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5.13-16).

Por uma questão de princípios, se o cristão não se retira da sociedade, ele tem de aprender a conviver com seus contemporâneos e vizinhos, sem se deixar influenciar ou enredar por eles. Convivência e conivência são coisas distintas: “convivência” é viver com outra pessoa; “conivência” é cumplicidade, colaboração, conluio.

Não cabe ao cristão discriminar, desprezar, odiar, maltratar, humilhar ou apedrejar o homossexual ou a lésbica, em uma sociedade em que há muitos outros desvios, como a injustiça, a avareza, o consumismo, a hipocrisia, a idolatria, o ódio, a vingança, a arrogância, a frivolidade e assim por diante. Cabe ao cristão conviver com todas essas pessoas, com temor e tremor, sem espírito de superioridade, reprovando todas essas coisas mais pela conduta do que pelas palavras.

O ensino de Paulo tem um valor imenso se o contexto for considerado. Não há concessão alguma ao desregramento sexual. No mesmo capítulo, o apóstolo é enfaticamente contrário à presença de certo indivíduo da comunidade cristã de Corinto que estava tendo relações com a mulher de seu pai (já morto ou não), provavelmente sua madrasta. Ele deveria ser temporariamente afastado dos privilégios da comunidade, até que sua natureza carnal fosse suplantada pela nova natureza (1Co 5.1-5). No capítulo seguinte, Paulo recorda que entre os membros fundadores da comunidade cristã havia ex-homossexuais ativos e ex-homossexuais passivos, bem como muitos outros ex-isto-e-aquilo (1Co 6.9-11).

Na comunidade, o critério seria um; na sociedade, seria outro. Não se pode exigir que o não-cristão se comporte como cristão, mas é lícito exigir que o cristão se comporte como cristão.

Qual é a sua opinião sobre o tema?
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set 22 2010

Quem crê no "Jesus" errado….

“Quem crer no Jesus errado, embarca em uma salvação errada, e pode desembarcar no céu errado” [Paulo Romero]

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Não é pequeno o número de pessoas enganadas por construírem um “Jesus” a partir de suas próprias crenças, no lugar de deixarem suas crenças serem construídas por Jesus. Há muita gente equivocada por querer montar um “Jesus”. É gente que lê a Bíblia com um filtro para enxergarem apenas o que lhes parece conveniente.

Um exemplo disso está num texto que li recentemente, no qual o autor, ao tentar defender que os primeiros cristãos aceitavam a prática homossexual, faz as seguinte afirmação: “Cristãos Conservadores que correm para o palco principal nos debates atuais citam os textos anti-gays da Bíblia, mas até eles não levam essas passagens a sério já que os textos também exigem a morte para gays ativos”.

Contudo, ao citar os textos que supostamente fariam essa exigência, o autor cita o texto de Paulo em Romanos 1:26-32: “Paulo escrevendo aos Romanos diz que aqueles que fazem tais coisas “merecem morrer” “. Logo depois, ele prossegue tentando mostrar uma contradição entre o ensino de Paulo e o de Jesus: “Essas passagens também vão contra os ensinamentos de Jesus nos evangelhos onde ele defende os perseguidos, incluindo aqueles acusados de ofensas sexuais, notoriamente requerendo dos Israelistas que estavam se preparando para apedrejar até a morte uma mulher dita adúltera que quem deles estivesse sem pecado “que [fosse] o primeiro a atirar uma pedra nesta mulher”.

O autor do texto citado provavelmente conhece muito pouco sobre Paulo, e menos ainda sobre Jesus. Afinal, desde quando a declaração “receberam em si mesmos o castigo merecido pela sua perversão”  em Rm. 1:26,   ensina a execução de homossexuais? E onde Paulo diz que o castigo pelo erro deve ser aplicado pelos homens? Se Paulo defendesse isso, não estaria apenas em contradição com Jesus, mas estaria também em contradição consigo mesmo. Foi ele quem afirmou que sua luta não era contra carne e o sangue (Ef. 6:12). Em outra ocasião, ao falar sobre impureza sexual, Paulo diz que quem executa a devida recompensa pelo pecado não é o homem, mas o próprio Deus:

“Cada um saiba controlar o próprio corpo de maneira santa e honrosa, não com a paixão de desejo desenfreado… . Neste assunto, ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite. O Senhor castigará todas essas práticas, como já lhes dissemos e asseguramos. Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade” (I Ts. 4:3-7).

Nisso, não há contradição alguma entre Paulo e Jesus. Muito pelo contrário. Algumas afirmações de Jesus são tão fortes que muitos de nós preferiríamos que não estivessem na Bíblia: “eu lhes mostrarei a quem vocês devem temer: temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno. Sim, eu lhes digo, esse vocês devem temer” (Lc. 12:5).

É fato que Jesus disse aos que queriam apedrejar a mulher adúltera: “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”. Contudo, nem todos percebem que Jesus também disse à mulher: “vai e não peques mais”. E por que disse isso? Porque se não dissesse, estaria em contradição consigo mesmo, posto que sobre o adultério, o ensino de Jesus é o seguinte: “qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração. Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno” (Mt. 5:28,29).

A defesa da união homossexual pode ser feita por diversos meios e partindo de diferentes fatos, mas é desonestidade usar a Bíblia e o Cristianismo para isso. Para fazer isso, só através de um “Jesus” montado.

Precisamos estar atentos e vigilantes pois, assim como o autor do texto citado monta um “Jesus” para favorecer sua opinião, nós também podemos em muitas áreas das nossas vidas montar um “Jesus” que nos seja mais conveniente.

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set 4 2010

Onde há mais pecado?

@EdReneKivitz Maior iniquidade existe no descaso para com os pobres do que na permissividade moral relacionada às questões de sexo. [Ezequiel 16.49)

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O texto de Ez. 16:49, citado no tweet acima, faz referência à razão pela qual Sodoma foi destruída: "Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado" (Ez. 16:49). Contudo, Judas nos apresenta outro motivo para a condenação de Sodoma: "Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo" (Jd. 6).

Afinal, qual foi o motivo da destruição de Sodoma? A imoralidade sexual ou o descaso com o pobre? Há contradição entre Ezequiel e Judas? Não, não há contradições. Apenas cada um dos livros destaca um dos motivos.

E a pergunta que fica é: qual dos dois pecados teve maior peso para a destruição de Sodoma? A imoralidade ou o descaso com o pobre? Em qual das situações há mais iniquidade?

Partindo apenas dos textos de Ezequiel e de Judas, não podemos chegar a uma resposta. E na verdade, independentemente de qual seja a resposta, não estamos obrigados a combater um pecado em detrimento do combate ao outro. Não somos obrigados a rejeitar mais um pecado enquanto rejeitamos menos a outro.  Não estamos buscando equilibrar dois pecados em uma balança, para ver qual é o menos pior.

Porém, partindo das palavras do próprio Senhor Jesus, podemos dizer que há uma situação que apresenta iniquidade maior do que a da imoralidade e do descaso com o pobre: a falta de fé e de arrependimento, elementos através dos quais recebemos a palavra de Jesus. Acerca disso, o Senhor diz: "E tantos quantos vos não receberem, nem vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles. Em verdade vos digo que haverá mais tolerância no dia de juízo para Sodoma e Gomorra, do que para os daquela cidade (Mc. 6:11). Mais importante do que saber que pecado teve mais peso para a destruição de Sodoma, é saber que a rejeição às palavras de Jesus, por si só, é suficiente para que alguém tenha um destino pior do que o de Sodoma.

Por isso, nosso dever vai muito além do combate à imoralidade sexual e ao descaso com o pobre. Nosso deve consiste no anúncio da Palavra que transforma o homem. Nosso dever é pregar e viver integralmente o Evangelho do Reino, anunciando a todos os homens e em todos lugar que se arrependam e creiam em Jesus.

"[Jesus] Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo. Para isso eu me esforço, lutando conforme a sua força, que atua poderosamente em mim” (Cl. 1:28,29).


jul 27 2010

Tempos difíceis (3)

No dia 30/10 do ano passado, publiquei aqui no blog o post ‘E o que fizeram com a Reforma?’, no qual fiz alguns comentários sobre a decisão da Igreja Evangélica Luterana dos EUA, movida pelo liberalismo teológico, de ordenar ministros homossexuais. Hoje, transcrevo abaixo a notícia, retirada do site Pão & Vinho, de que aquela denominção ordenou seus primeiros ministros homossexuais.

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Igreja Luterana nos EUA ordena seus primeiros ministros gays

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Com imposição de mãos, a Igreja Evangélica Luterana na América ordenou um grupo de sete pastores gays que, até pouco tempo, não podiam exercer ministério na igreja.

A cerimônia foi a primeira de várias programadas desde que a convenção da denominação do ano passado, por meio de votação histórica, passou a permitir que ministros em “relações homossexuais estáveis” sirvam na igreja.

“A mensagem da igreja é clara” – disse em conferência de imprensa o Rev. Jeff Johnson, um dos sete pastores gays que participaram da cerimônia. “Todas as pessoas são bem vindas aqui, todos estão convidados a participar nesta igreja, e todas as pessoas são amadas por Deus incondicionalmente.”

A Igreja Evangélica Luterana na América, conhecida como ELCA (sigla em inglês), é agora a maior denominação protestante nos EUA, com 4.6 milhões de membros, a incluir ministros gays não celibatários em sua hierarquia clerical – um problema que tem causado tensões e divisões em suas próprias fileiras, assim como com muitas outras denominações.

Desde que a igreja aprovou a medida no verão do ano passado, 185 congregações se desligaram da denominação, que conta com 10.936 congregações no mundo.

A Igreja Episcopal (Anglicana) e a Igreja de Cristo Unida também ordenam ministros gays. A assembleia geral da Igreja Presbiteriana dos EUA aprovou a mesma medida em sua convenção, no começo deste mês, mas para se tornar oficial ela ainda precisa ser ratificada pela maioria dos seus 173 presbíteros regionais.

Duas vertentes menores da Igreja Luterana nos EUA – a Igreja Luterana do Sínodo de Missouri e o Sínodo Evangélico Luterano de Wisconsin – não ordenam ministros em relações homoafetivas.

Alguns dos que desaprovam a medida planejam deixar a denominação. O Rev. Mark Chavez, diretor da Lutheran Core – uma coalizão de Igrejas Luteranas conservadoras – disse que seu grupo deverá formar uma nova denominação em agosto: a Igreja Luterana Norte-Americana.

Sobre a cerimônia do último domingo, Chavez comenta: “Infelizmente, este é somente mais um passo dado pela ELCA para distanciar a denominação ainda mais das outras Igrejas Luteranas no mundo e da Igreja cristã em geral.”

Reportagem completa: The New York Times.     Tradução: Paoevinho.org

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jul 17 2010

Tempos difíceis (2)

Presbiterianos dos EUA aprovam a ordenação de homossexuais ao pastorado

A Assembleia Geral da Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos na América (PCUSA), a maior daquela denominação nos EUA, aprovou a Resolução que autoriza a Ordenação como pastores de homossexuais praticantes. Quanto à outra Resolução que autorizaria o casamento religioso de pessoas do mesmo sexo, redefinindo “união entre homem e mulher” por “união entre duas pessoas”, a Assembleia decidiu retirar a matéria de pauta, para deliberação em outra ocasião. Hoje há ramos congregacionais, batistas, episcopais, presbiterianos, e outros, que estão adotando a Agenda GLSBT.

A Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) não mantem ligações com a PCUSA, e na última reunião de seu Supremo Concílio rejeitou veementemente propostas para reatamento de relações com a PCUSA, bem como de retornar à AMIR – Aliança Mundial de Igrejas Reformadas – também de viés liberal.

Fontes:
www.anglican-mainstream.net
http://tempora-mores.blogspot.com/

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