out 13 2011

Um coração dividido entre muitas coisas

Lucas registra um comportamento de Jesus que, em uma primeira leitura, pode parecer contraditório. Jesus teria tratado de forma desigual dois homens que tinham o mesmo problema: o amor ao dinheiro. O primeiro deles foi um jovem rico, a quem Jesus ordenou: “vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu”. Esse jovem, depois de ouvir essas palavras, “ficou muito triste, porque era muito rico”, e não seguiu o Senhor (Lc. 18:18-23). O segundo foi Zaqueu, que ao receber Jesus em sua casa, espontaneamente declarou: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. Ao ouvir isso, Jesus, numa expressão de alegria, respondeu: “Hoje houve salvação nesta casa!” (Lucas 19:1-10).

Pode parecer estranho que Jesus exija do jovem rico que venda tudo e dê aos pobres, mas se satisfaça com a decisão de Zaqueu de doar metade de seus bens e devolver em quatro vezes mais o que roubou. Por que do jovem rico Jesus exige todos os bens, e de Zaqueu se contenta com a doação da metade?

Quem pensar que há contradição em Jesus, certamente ainda não compreendeu a forma como o Evangelho trata o tema das riquezas. O problema não é quanto o dinheiro serve a uma pessoa, mas o quanto essa pessoa serve ao dinheiro. A questão não é o quanto você tem de dinheiro, mas se o dinheiro tem a você. Afinal, como disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt. 6:24).

Jesus conhecia o espaço ocupado pelas riquezas tanto no coração do jovem rico, como no coração de Zaqueu. Os espaços eram diferentes, e por isso as exigências também foram. Contudo, Jesus queria alcançar o mesmo resultado em cada um deles: um coração que servisse a Deus somente.

Não é apenas o dinheiro que tenta dividir espaço com Deus em nossos corações. Há outras coisas que também tentam ocupar espaço em nós. Há quem viva em função de um sonho, um projeto, um desejo, seja ele legítimo (como o de formar uma família) ou ilegítimo (como o pecado). Mas o fato é que Deus não divide espaço em nossos corações com nada e ninguém. Nossas vidas só encontram rumo, sentido e propósito quando servimos integralmente a Ele.

Continuamente somos tentados a ceder espaço em nossos corações para inúmeras coisas. Mas,  que a cada dia apresentemos nossas vidas ao Espírito Santo, pedindo que Ele nos mostre se há algo que divide nossa atenção. Que nossa oração seja: “Vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl. 139:24).

Em Cristo,

Anderson Paz

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