jul 20 2010

“Nunca se rebaixe para nada nem ninguém” – Tem certeza disso?

Acabei de retornar à Curitiba e, ao verificar o Twitter, me deparei com a seguinte  declaração:

“Só digo uma coisa, nunca se rebaixe pra nada nem ninguém, vc é do tamanho que Deus diz que vc é. Humilhe-se diante de Deus somente!!!”.

Trata-se de um tweet que até o momento recebeu 39 retweets, e despertou minha atenção, fazendo com que eu voltasse minha reflexão às Escrituras. Nessa reflexão, pude perceber algumas situações interessantes que queria compartilhar com vocês.

A primeira delas diz respeito à escrava Hagar, que, após fugir de sua senhora, recebeu a seguinte direção do anjo do Senhor: “Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos” (Gn. 16:9). Podemos observar que, na situação de Hagar, o tweet acima mencionado apresenta uma direção completamente oposta àquela que havia sido dada por Deus.

Também foi interessante observar que o livro de Provérbios dá a seguinte orientação aos que ficam em maus lençóis por serem fiadores: “Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro” (Pv. 6:3). Para o autor do Provérbio, o tweet citado também não deveria ser aplicado.

Por fim, o que mais despertou minha atenção foi o contexto em que Jesus ensinou que quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. Antes de dizer isso, Jesus ensina: “quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas. Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc. 14:10,11). Jesus ralacionava diretamente  a auto-humilhação que Ele espera de nós com a forma como nos colocamos diante dos outros.

O tweet  a que me referi apresenta alguns perigos e equívocos, mas o que quero destacar aqui é o fato de que a recomendação “nunca se rebaixe pra nada nem ninguém” pode ofuscar nossa visão e nos impedir de enxergarmos mandamentos como “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3) e “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos12:10). Portanto, devemos avaliar tudo à luz das Escrituras, para não cairmos no perigo do engano.

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mar 30 2010

Pensando um pouco mais sobre humildade… (2)

Já faz um bom tempo que o blog não tem sido atualizado. O retorno às aulas na faculdade e a monitoria na disciplina de História do Direito, além do trabalho com a rede de igrejas nos lares aqui em Curitiba, estão me obrigando a reorganizar meu tempo. E nessa reorganização, o blog tem sido altamente afetado. Mas, mesmo assim, as visitas ao blog permanecem constantes, e quero dizer aos leitores que pretendo retomar as atividades no blog em breve.

Por hora, quero apenas continuar tratando o tema do último post: Humildade. Esse tema tem marcado os primeiros meses de 2010.  Já foi tema de retiro do qual participei e até de pregação no casamento dos meus amigos Breno e Gisa (@breno_andrade).

Minha atenção tem sido chamada à essa virtude. E quero empregar minha vida em cultivá-la, afinal, para isso foi a convocação de Jesus em Mt.  11:29 – “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”.

Em minhas reflexões sobre a humildade tenho sido cercado de agradabilíssima companhia. Além do Franco (@francoamd7), que tem tocado no tema em praticamente todas as vezes que o vi durante este ano, também tenho tido a companhia de John Piper (vídeo do último post) e de Martyn Lloyd-Jones (1899-1981). Aliás, quero compartilhar hoje um texto de Lloyd-Jones.

Leia, medite, aprecie e aplique em seu cotidiano.

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Humilhe-se à vista de Deus

Fonte: blog Martyn Lloyd-Jones

A palavra hebraica «aviva» tem o sentido primário de «preservar», ou «manter vivo». O que Habacuque temia grandemente era que a Igreja estivesse sendo totalmente des truída. Daí orava: «Preserva-a, ó Deus, mantém-na viva, não permitas que ela seja derrotada». Entretanto, avivar não signi fica somente manter vivo ou preservar, mas também purificar e corrigir, despojar-se do mal. Este é sempre um acompa nhamento essencial, toda vez que Deus promove avivamento.

Na historia de cada reavivamento lemos sobre a ação de Deus, purificando e eliminando o pecado, a impureza e as coisas que estavam embaraçando a Sua causa. . . enquanto a Igreja está sendo preservada, purificada e corrigida, ao mesmo tempo está sendo preparada para a libertação^ O profeta olha para a calamidade que se aproxima, e diz: «Õ Senhor, ainda que devamos ser punidos, prepara-nos para a libertação que há de vir. Faze a todo o Teu povo digno das Tuas bênçãos». . .

O apelo final de Habacuque é deveras tocante (capítulo 3, versículo 2) — «na tua ira», diz ele, «lembra-te da miseri córdia» . . . Não pede a Deus que se lembre do Seu povo por causa de quaisquer méritos deles. . . A única coisa que ele faz é pedir a Deus que se lembre de Sua natureza e daquele outro lado do Seu santo Ser — a Sua misericórdia. E como se dissesse: «Tempera a ira com a misericórdia. Nada temos para dizer, exceto pedir-Te que ajas de acordo contigo mesmo, que em meio à ira tenhas piedade de nós».

Temos aqui a oração modelo para uma época desta..* Em todos os nossos «dias nacionais de oração», durante a última guerra, parecia haver a presunção de que nós estávamos certos e de que tudo que tínhamos a fazer era pedir a Deus que derrotasse os nossos inimigos que, só eles, estavam errados. Tinha-se a impressão que não havia lugar para ne nhuma humilhação veraz ou confissão de pecado. . .

A men sagem deste livro (Habacuque) é que, enquanto não nos humilharmos verdadeiramente. . . enquanto não nos encarar  mos a nós mesmos como somos aos olhos de Deus. . . não temos direito de procurar paz e felicidade. Enquanto o mundo não aprender estas poderosas lições da Palavra de Deus, não haverá esperança para ele.

From Fear to Faith, p. 64-6.


mar 18 2010

Pensando um pouco mais sobre humildade

Se Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes (Tg. 4:6),

se os que se humilham serão exaltados (Mt. 23:12),

se dos humildes de espírito é o reino dos céus (Mt. 5:3),

e se os que aceitam glória uns dos outros não podem nem mesmo crer (Jo. 5:44),

deveríamos, portanto, empregar todo nosso empenho em cultivar a virtude da humildade.

Afinal, foi esse o convite que Jesus nos fez ao dizer: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt. 11:29).

Por isso, quero compartilhar com vocês o vídeo abaixo, onde John Piper fala sobre humildade. Confira e reflita.

Posts relacionados:
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- Cada um no seu lugar – parte 2
- Cada um no seu lugar – parte 3
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out 20 2009

Cada um no seu lugar – parte 3

Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 2 .
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Serviço, dons e ministérios são assuntos que não podem ficar de fora quando tratamos do tema humildade.  Nessas questões não é difícil encontrarmos desequilíbrios. De um lado, há os que precisam ser constantemente relembrados do que Paulo escreveu aos Romanos: “digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm. 12:3). No lado oposto estão os que precisam ouvir o que Paulo disse à Timóteo: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (I Tm. 4:14).

Deixar de exercer talentos e dons não expressa humildade. Afinal, Deus é glorificado quando manifestamos o que dEle temos recebido pois “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Quando alguém exerce seus dons consciente que isso não lhe é próprio, mas é algo que vem de Deus, esta pessoa pode dizer: “pela graça de Deus, sou o que sou” (I Co. 15:10).

Quem serve à Igreja deve sempre trazer à memória as palavras do Senhor: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:8-12).

Jesus não quis dizer que não há mestres no meio da Igreja (I Co. 12:28). Nem que não há pais na fé (I Co. 4:15). Mas Jesus chama nossa atenção para duas realidades. A primeira é a de que Ele é a origem de qualquer ministério. Foi Ele quem garantiu que edificaria Sua Igreja (Mt. 16:18), e é Ele mesmo que, cumprindo Sua Palavra, dá dons aos homens (Ef. 4:11). Portanto, só há mestres na Igreja se estes têm Jesus como mestre. Assim como só há pastores à medida que estes têm Jesus como pastor.

Nossa atenção também se volta para a realidade de que a Igreja (família de Deus) é ambiente para serviço abnegado, e não para a ostentação e auto-promoção. Há mestres e há pais no corpo de Cristo. Contudo, o que faz um pai ou um mestre não é a ostentação de um título. Quem é pai, pastor ou mestre o é sem que receba designações especial. Afinal,  Jesus, sendo o Grande Pastor das Ovelhas (Hb. 13:20), o Sumo Pastor (I Pe. 5:4), o Pastor e Bispo das nossas almas (I Pe. 2:25) e o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb. 3:1), pode ser chamado apenas pelo Nome. Por que nós, simples mortais, exigimos ser tratados por títulos e impôr nossa pretensa autoridade?

O que faz um pastor não é a posição institucional que ocupa, mas sim o chamado e o fato de Deus lhe ter confiado ovelhas. De Deus vem o chamado e das ovelhas vem o reconhecimento. Paulo sabia disso, e disse aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (I Co. 9:2).

Quem é servido deve reconhecer isso com humildade. Paulo nos diz: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós” (I Ts. 5:12). E, ao se referir aos que trabalham em prol da Igreja, nos ensina:  “Reconhecei, pois, a homens como estes” (I Co. 16:17).

Ainda falando  sobre o lugar de cada um no Corpo de Cristo, destaco o exemplo de Dorcas (At. 9:36-43). Em tempos de “megaministérios”, de buscas desenfreadas por honra e glória no meio chamado “gospel”, é importante lembrarmos do ministério dessa mulher. As Escrituras não relatam nenhum milagre que tenha realizado, nenhuma manifestação sobrenatural. Não era uma apóstola e nem mesmo profetisa. Não era uma conferencista internacional. Era uma costureira, uma simples costureira, que usava sua habilidade com os tecidos para servir aos santos. Contudo, esse serviço simples foi suficiente para fazer com que ela fosse ressuscitada por Pedro. Muitos dos que foram usados para realizar sinais não passaram por essa experiência. Mas Dorcas, com seu serviço simples, marcou a vida de muitos e veio a ressuscitar.

A vida de Dorcas nos ensina que devemos cumprir com fidelidade o serviço que recebemos do Senhor, mesmo que isso pareça simples ou não nos coloque em evidência. Se fizermos com consagração o que Deus nos deu a realizar, poderemos receber recompensas extraordinárias.

Portanto, lembremo-nos da palavra de Paulo ao seu amigo Arquipo: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (Cl. 4:17).

Anderson Paz


out 9 2009

Cada um no seu lugar – parte 2

Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 1 ….
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Como já foi dito no texto anterior, quando alguém tenta definir humildade, geralmente fala apenas do que uma pessoa humilde faz ou deixa de fazer, mas pouco fala daquilo que uma pessoa humilde é. Talvez seja essa a razão pela qual alguns costumam imprimir a qualidade de humilde à certos comportamentos que, à luz das Escrituras, não passam de covardia e omissão. Ou seja, são apenas manifestações de mero egoísmo. Certas atitudes que parecem humildes nascem de corações que de humildade não têm nada.

Um exemplo disso ocorre quando uma pessoa se esquiva de tratar do pecado de seu irmão, fazendo mau uso da verdade de que todos nós somos igualmente pecadores, e, portanto, não deveríamos repreender ninguém por seu pecado. Assim, a repreensão do pecado  seria um ato de soberba. Essa pessoa usa expressões como “errar é humano” ou “ninguém é perfeito”, além de fazer uma péssima leitura do mandamento “não julgueis, para que não sejais julgados” (Mt. 7:1). Digo que é uma péssima leitura, pois se esquece de ler o contexto em Jesus nos alerta para o fato de que será aplicado a nós os mesmo critérios pelos quais julgamos as pessoas. Portanto, quando repreendemos alguém, não devemos impor opiniões pessoais, mas apenas reproduzir a Palavra, uma vez que todos serão julgados por ela. Disso ninguém poderá escapar. Foi o próprio Jesus quem disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo. 12:47,48). E a palavra de Jesus vinha do Pai (Jo. 8:28). É por isso que Jesus nos diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo. 7:24).

Assim, é melhor que nosso irmão saiba hoje o que Deus diz sobre o pecado, para que naquele Dia ele não tenha que ouvir o veredito: “Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt. 7:23).

Nosso pecado não nos deixa irresponsáveis diante do pecado dos outros. A existência de uma trave em meu olho não me isenta de tirar o argueiro no olho do meu irmão, pois Jesus nos ordena: “tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão” (Mt. 7:5). Preciso tirar a trave do meu olho para que eu possa ajudar meu irmão. Não posso fingir que o problema não é comigo.

Aquele que, sabendo quem é, tem plena consciência de sua própria pecaminosidade, não  se omite diante do pecado dos outros. Antes, por se compadecer de seu irmão, o corrige com brandura, consciente de que está sujeito às mesmas tentações (Gl. 6:1). Esse homem sempre está atento à declaração de Paulo: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (I Co. 10:12).

Continuação: Cada um no seu lugar  – parte 3


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