Consumistas de todos os tipos
Quero dividir com vocês uma reflexão compartilhada pelo meu amigo Sandro Lourenço (@Sandroamd7). Trata-se de pontos importantes, sobre os quais devemos nos avaliar todos os dias. Assista e seja edificado.
“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo” (Ap. 3:20).
O texto acima é conhecido por muitos, mas nem todos percebem que essas palavras de Jesus não são dirigidas a um incrédulo, mas a uma igreja, a igreja em Laodicéia. É importante lembrar dessa obervação. Mas, além disso, gostaria de chamar sua atenção para outro fato, que também precisa ser lembrado: Jesus está a porta e bate, mas há distintas formas de recebê-lo, há diferentes formas de abrir essa porta. Ou seja, cada pessoa que abre a porta para receber Jesus pode fazer isso com diferentes intenções.
Costumo dizer que há quem queira receber Jesus apenas para tomar um café, para um almoço ou para um jantar. Para tal pessoa, Jesus seria uma companhia agradável, alguém bom para conversar, que oferece esperança, consolo, paz etc.. E nada mais. Não teria uma influência maior sobre a vida dessa pessoa.
Há quem queira receber Jesus como hóspede. Nesse caso, Jesus causaria certa mudança no dia-a-dia dessa pessoa. A presença de um hóspede pode mudar a rotina de uma casa, causar alterações no comportamento dos moradores, implicar em custos financeiros etc.. Neste caso, Jesus não faria mais do que formar uma nova agenda e mudar de certos hábitos.
Por fim, há quem receba Jesus não para um café, e nem como um hóspede, mas como o dono da casa, o Senhor. Neste caso, tal pessoa entrega a Jesus as chaves e a escritura da casa e assim, deixa de ser dono, e passa a ser servo. Passa estar à completa disposição do novo Dono, o Senhor Jesus. Isso é muito mais do que uma mudança de rotina, ou a alterações de certos hábitos. Isso implica em uma mudança total de direção: uma conversão.
Contudo, antes de abrir a porta é preciso que uma coisa fique clara: Jesus só entra para ser Senhor. É para isso que Ele bate à porta. Foi para isso que Ele morreu e ressuscitou: “Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos” (Rm. 14:9).
Jesus só entra para ser Senhor. E nós, como servos, estamos à disposição dEle para tudo o que for necessário na reforma que Ele começou a operar em nós, pois “aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la” (Fp. 1:6).
Estejamos completamente entregues ao nosso Senhor, e assim Ele seguirá com sua obra em nós.
Em Cristo,
Lucas registra um comportamento de Jesus que, em uma primeira leitura, pode parecer contraditório. Jesus teria tratado de forma desigual dois homens que tinham o mesmo problema: o amor ao dinheiro. O primeiro deles foi um jovem rico, a quem Jesus ordenou: “vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu”. Esse jovem, depois de ouvir essas palavras, “ficou muito triste, porque era muito rico”, e não seguiu o Senhor (Lc. 18:18-23). O segundo foi Zaqueu, que ao receber Jesus em sua casa, espontaneamente declarou: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. Ao ouvir isso, Jesus, numa expressão de alegria, respondeu: “Hoje houve salvação nesta casa!” (Lucas 19:1-10).
Pode parecer estranho que Jesus exija do jovem rico que venda tudo e dê aos pobres, mas se satisfaça com a decisão de Zaqueu de doar metade de seus bens e devolver em quatro vezes mais o que roubou. Por que do jovem rico Jesus exige todos os bens, e de Zaqueu se contenta com a doação da metade?
Quem pensar que há contradição em Jesus, certamente ainda não compreendeu a forma como o Evangelho trata o tema das riquezas. O problema não é quanto o dinheiro serve a uma pessoa, mas o quanto essa pessoa serve ao dinheiro. A questão não é o quanto você tem de dinheiro, mas se o dinheiro tem a você. Afinal, como disse Jesus: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt. 6:24).
Jesus conhecia o espaço ocupado pelas riquezas tanto no coração do jovem rico, como no coração de Zaqueu. Os espaços eram diferentes, e por isso as exigências também foram. Contudo, Jesus queria alcançar o mesmo resultado em cada um deles: um coração que servisse a Deus somente.
Não é apenas o dinheiro que tenta dividir espaço com Deus em nossos corações. Há outras coisas que também tentam ocupar espaço em nós. Há quem viva em função de um sonho, um projeto, um desejo, seja ele legítimo (como o de formar uma família) ou ilegítimo (como o pecado). Mas o fato é que Deus não divide espaço em nossos corações com nada e ninguém. Nossas vidas só encontram rumo, sentido e propósito quando servimos integralmente a Ele.
Continuamente somos tentados a ceder espaço em nossos corações para inúmeras coisas. Mas, que a cada dia apresentemos nossas vidas ao Espírito Santo, pedindo que Ele nos mostre se há algo que divide nossa atenção. Que nossa oração seja: “Vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl. 139:24).
Em Cristo,
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Afinal, a vida tem algum propósito? – Parte 5
Como vimos nos posts anteriores, Deus tem o propósito de ter uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus. E se existe uma palavra capaz de resumir esse propósito, com certeza essa palavra é Igreja. Talvez você se surpreenda com essa afirmação, mas reafirmo que Igreja é a palavra mais adequada para resumir o propósito de Deus. E te convido a continuar acompanhando o desenvolvimento desse tema.
Como já foi dito anteriormente, Paulo nos diz que Deus quer reunir todas as coisas sob a autoridade de Cristo (Ef. 1:9,10). E, ao final do mesmo capítulo em Efésios, Paulo nos diz: “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas, em toda e qualquer circunstância” (Ef. 1:22,23).
O Pai estabeleceu Jesus como cabeça sobre todas as coisas, e fez da Igreja o Seu corpo. O que isso quer dizer? Quer dizer que a Igreja é a parcela da humanidade que se rendeu a Jesus, que foi reunida sob a autoridade de Cristo, o cabeça, deixando o estado de independência e rebelião contra Deus. Ela é a comunidade daqueles que, por meio de Cristo, se tornaram filhos de Deus. É o propósito de Deus resgatado e no caminho de sua completa realização. É a humanidade redimida, regenerada, que descobre o que é ser humano de verdade, pois a verdadeira humanidade consiste em expressar a imagem do Criador. A Igreja é a concretização do que Deus queria com a humanidade desde o princípio.
A Igreja não é apenas a humanidade reconciliada com Deus, mas também é formada na reconciliação entre os homens. É por isso que Paulo diz aos Efésios: “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, Na sua carne desfez a inimizade, … para criar em si mesmo dos dois um novo homem,… e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades” (Ef. 2:13-16).
Considero muito interessante e oportuno transcrever aqui um trecho do livro Projeto do Eterno, de Jorge Himitian, no qual o autor faz uma descrição sobre a Igreja:
“Em um mundo dividido, onde reina o individualismo, a injustiça, o egoísmo, a competição e as guerras, a Igreja é a parte da humanidade que, em Cristo, se reencontrou com Deus para se tornar um com Ele – é a humanidade reconciliada. A Igreja, em sua natureza essencial, é perdão, paz, reconciliação, serviço e amor. A Igreja é comunidade, família e unidade. É o ósculo santo, o abraço fraterno, o pão compartilhado, a comunhão de bens e o afeto entranhável. É o fim da solidão, do individualismo, das divisões e das guerras. A Igreja é o “shalom” (paz) de Deus instalado entre os homens para manifestar ao mundo o maior de todos os milagres: a unidade”.
Continuremos a nos aprofundar sobre o tema Igreja no post de amanhã.
Em Cristo,
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