jul 28 2011

Religião não define caráter

Depois que empresas de transporte rejeitaram a proposta de publicidade da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), feita no final do ano passado, a associação começou a espalhar na capital gaúcha alguns outdoors [1].  Um dos outdoors espalhados pela Atea em Porto Alegre exibe as fotos de Charles Chaplin, que era ateu, e Adolf Hitler, que acreditava em Deus, com os dizeres “religião não define caráter”.

Quanto à mensagem do outdoor citado, posso afirmar que ela possui certa concordância com que Paulo já havia dito, em sua carta aos Romanos, há quase 2.000 anos . Ele adverte os religiosos judeus ao dizer: “Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus… Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?” (Rm. 2:17-23). Já quanto aos não-judeus, Paulo diz o seguinte: “quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm. 2:14,15).

O que Paulo está dizendo é que a adesão intelectual à alguma concepção religiosa não traz mudança alguma. Meras regras de comportamento não mudam o coração. Paulo chega a dizer que regras como “não toque”, “não use” ou “não manuseie”, não tem poder algum sobre os impulsos humanos (Cl. 2:21-23). Já quanto à mera crença em Deus, Tiago nos diz: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem!” (Tg. 2:19).

Até o momento, como vemos, não há diferença entre o ensino de Paulo e de Tiago e o cartaz da campanha ateísta aqui citado.

Mas, o que o Evangelho apresenta de diferente? O que a mensagem de Cristo tem para se apresentar capaz de mudar o caráter de indivíduos? O Evangelho traz consigo uma experiência que o mundo não consegue compreender: o novo nascimento. Paulo nos diz que “em Cristo Jesus nem a circuncisão, nem a incircuncisão tem virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura” (Gl. 6:15). E João nos ensina: “Todo aquele que é nascido de Deus não pratica o pecado, porque a semente de Deus permanece nele; ele não pode estar no pecado, porque é nascido de Deus” (I Jo. 3:9).

É a partir da experiência do novo nascimento que tudo muda na vida de quem recebe o Evangelho de Jesus. Se queremos ver pessoas com caráter transformado, semelhante ao de Cristo, nossa mensagem deve ser permeada, não com meros conceitos ou regras humanas, mas com a Palavra capaz de produzir o milagre do novo nascimento. Afinal, como disse o próprio Senhor: “É necessário que vocês nasçam de novo” (Jo. 3:7).

NEle,

@AndersonPaz

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[1] - Notícia extraída de http://ccsp.com.br/ultimas/noticia.php?id=53734
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jul 25 2010

Ouvidos tapados, olhos fechados

Autor: Karl Heinz Kienitz
Fonte: Revista Ultimato


Em 1884, vinte anos antes de receber o Prêmio Nobel de Física, Lord Rayleigh dizia ao plenário da 54a Reunião da Associação Britânica para o Avanço da Ciência: “Muitas pessoas excelentes temem a ciência como tendendo ao materialismo. Não é surpreendente que tal apreensão exista, pois, infelizmente, há escritores, falando em nome da ciência, que se fixaram a fomentá-la. É verdade que entre os homens de ciência, como em outros ramos, pontos de vista pouco refletidos podem ser encontrados a respeito das coisas mais profundas da natureza; mas que as crenças professadas por Newton, Faraday e Maxwell toda uma vida seriam incompatíveis com o hábito científico da mente é, sem dúvida, uma proposição que eu não preciso me delongar em refutar”.

De Rayleigh até hoje cientistas de renome têm reiterado a compatibilidade de fé cristã e ciência. Para Max Planck, “religião e ciência natural combatem unidos numa batalha incessante contra o ceticismo e o dogmatismo, contra a descrença e a superstição. E a palavra de ordem nesta luta sempre foi e para todo sempre será: em direção a Deus!”. Em outra oportunidade Planck foi ainda mais incisivo: “A prova mais imediata da compatibilidade entre religião e ciência natural, mesmo sob análise detalhada e crítica, é o fato histórico de que justamente os maiores cientistas de todos os tempos, homens como Kepler, Newton, Leibniz, estavam imbuídos de profunda religiosidade”. Muitos outros nobéis, como Mott, Townes, Penzias, Schawlow e Phillips expressaram-se de forma semelhante.

No entanto, mais de um século após a palestra de Lord Rayleigh, persiste a situação por ele mencionada. Como evidência tupiniquim, confira-se uma recente entrevista feita com Marina Silva, candidata à presidência da república (“Época”, edição 627, 24/05/2010). Uma das perguntas foi: “Como a senhora lida com a contradição entre ciência e religião?”. A hipótese está enunciada de forma inequívoca. Independe do que a entrevistada teria a dizer, ou pior, independe do que os cientistas citados acima têm dito sobre o assunto há séculos. Em sua pergunta, a jornalista elevou a (imaginária) contradição entre ciência e religião à condição de verdade absoluta, fato incontestável.

Rodney Stark, professor de sociologia da Baylor University, apresenta uma possível explicação para atitudes como a da entrevistadora de Marina Silva. Um conflito entre fé e ciência tem sido “o principal dispositivo polêmico usado no ataque ateu contra a fé… afirmações falsas sobre religião e ciência têm sido usadas como armas na batalha para ‘libertar’ a mente humana dos ‘grilhões da fé’. A verdade é que não há inerente conflito entre religião e ciência. De fato a realidade fundamental é que a teologia cristã foi essencial para a acensão da ciência”.

A explicação alternativa à de Stark é a de que o formador de opinião engajado na difusão do imaginário conflito desconhece Kepler, Newton, Leibniz, Rayleigh, Planck, Mott, Townes, Penzias, Schawlow, Phillips e suas manifestações sobre a compatibilidade de fé e ciência. Infelizmente tal desconhecimento só é possível se esse formador de opinião não fizer corretamente seu trabalho de pesquisa ou “se fingir de morto” diante do vasto material disponível sobre o assunto, o que novamente implicaria motivações pouco louváveis. Enquanto isto, mentiras sobre fé cristã e ciência continuam a ser impingidas ao público.

Seja como for, os Newtons, Rayleighs e Plancks têm sido amplamente ignorados – muitas vezes deliberadamente – quando o assunto é fé e ciência. Isto me faz lembrar de uma frase de Jesus, na qual ele se refere ao assunto ignorância deliberada: “Eles taparam os ouvidos e fecharam os olhos. Se eles não tivessem feito isso, os seus olhos poderiam ver, e os seus ouvidos poderiam ouvir; a sua mente poderia entender, e eles voltariam para mim, e eu os curaria!” (Mt 13.15). Assim, para reverter o quadro é necessário destapar os ouvidos e abrir os olhos. Simples, não?

Karl Heinz Kienitz recebeu o doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça. É professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica em São José dos Campos. Karl mantém uma página na internet sobre fé e ciência no endereço www.freewebs.com/kienitz.

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mar 3 2010

O martírio não está fora de moda

Autor: Robinson Cavalcanti
Fonte: Revista Ultimato

Não é pessimismo, manipulação ou masoquismo, mas o martírio faz parte do preço a ser pago por confessar a Jesus como Salvador e segui-lo como Senhor. Os apóstolos, milhares de fiéis e as primeiras gerações de bispos foram trucidados pelos leões e gladiadores sob os imperadores romanos. Ao longo dos séculos, prisões, exílio, tortura, execuções e discriminações foram realidades cotidianas, inclusive na expansão missionária. Alguns fraquejaram e abjuraram, mas a maioria permaneceu firme. “O sangue dos mártires é a semente da fé”, já se afirmou. Do século 20, nos resta a memória dos mártires sob as ditaduras do nazismo e do comunismo. Hoje, é grande o número de cristãos perseguidos em vários países. O nacionalismo e o fanatismo religioso em países de religiões não-cristãs oficiais ou oficiosas é um fato crescente: hinduísta, budista e, especialmente, islâmica. Em grande parte do globo, não se conhece o conceito de separação entre religião e Estado, ou de liberdade religiosa. Oficial ou oficiosamente, se vive sob teocracias. Quando muito, se usa o conceito de tolerância religiosa para aqueles que não integram a religião hegemônica, destinados a serem cidadãos de segunda classe ou privados da plenitude dos seus direitos.

No passado, a Igreja também conheceu formas teocráticas opressivas, seja no modelo de cristandade do Sacro Império Germânico-Romano, no Ocidente, com a tutela papal, a Inquisição e as excomunhões, seja no césaro-papismo das Igrejas do Oriente, com a tutela do Estado sobre a Igreja, que hoje, infelizmente, depois da queda do comunismo, é revivida em alguns países. Um terceiro modelo foram os Estados nacionais com religião oficial — católica ou protestante — consolidados no Ocidente a partir da Idade Moderna, com perseguição de cristãos contra cristãos. Consideramos que a teocracia de Israel foi algo específico, especialmente pelo sistema de restrições mútuas entre reis, sacerdotes e profetas, e é algo encerrado com a Primeira Aliança, conquanto que o Estado de Israel (que nada tem a ver com o Israel bíblico) seja um espaço de restrições à liberdade religiosa. Cremos que a Providência Divina, bem como o pensamento e a ação dos setores mais lúcidos da Igreja, são em muito responsáveis pela consolidação do Estado laico, pela separação entre Igreja e Estado e pelo direito constitucional de liberdade religiosa. Foi com o fim do Estado Confessional da Colônia e do Império, e com o Estado laico da Constituição Federal de 1889 que nós protestantes (e as outras minorias religiosas) adquirimos cidadania plena no Brasil.

O Estado laico está hoje sendo deformado em seu entendimento pela ideologia do secularismo — parte da cultura pós-moderna —, que começa, concretamente, a ser fonte de perseguição à Igreja no Ocidente ex-cristão. O Estado laico deve ser uma realidade constitucional de não-religião oficial, de igualdade perante a lei, de liberdades civis, que não atentem “contra a ordem pública e os bons costumes”. Isso não quer dizer que as instituições religiosas não possam ter o seu papel político e cultural, ou que os fiéis, como cidadãos individuais e em entidades não-governamentais, não possam expressar o seu pensamento e tomar decisões a partir da sua fé e da sua reflexão teológica, especialmente no campo dos valores, em que a busca do bem comum transcende o espaço de cada um. O Estado secularista (mesmo que use a terminologia de “laico”) é um fato novo preocupante. Há uma hostilidade contra as religiões organizadas, notadamente as monoteístas de revelação, em particular o cristianismo. A fé é entendida como algo radicalmente individual e subjetivo, e as religiões são confinadas à esfera privada, proibidas de opinar ou de agir na esfera pública de modo coerente com seu conteúdo. É um humanismo centrado na autonomia e no orgulho do ser humano, totalitário e intolerante. Novas leis e projetos de lei, na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, procuram abolir os símbolos e extinguir as datas religiosas, introduzem a união civil entre pessoas do mesmo sexo, inclusive com possibilidade de adoção, e o aborto indiscriminado, sob o discurso dos “direitos humanos”, ou do “politicamente correto”. No Brasil, temos projeto de Lei que prevê prisão para quem expressar divergência em relação à “normalidade” do homossexualismo.

Diante do fanatismo religioso teocrático e do pseudo-laicismo secularista, a Igreja ainda não acordou para um novo período de perseguição religiosa que se avizinha. Na teologia da prosperidade não há lugar para martírio. Alguns convivem com uma tentação teocrática protestante, resultado do crescimento evangélico na América Latina. Estamos fragilizados, porque entristecemos o Espírito Santo, pecando contra a verdade, com as heresias, contra a unidade, com o divisionismo, e contra a santidade, com os trambiques de todo tipo. Carecemos de tomada de consciência, de arrependimento e do exercício responsável da cidadania, como sal e luz, pagando o preço do discipulado.

Robinson Cavalcanti é bispo anglicano do Recife - www.dar.org.br


out 15 2009

Evangélicos e seus parlamentares

Na última sexta-feira, 09/10, li a notícia de que já foi aprovada na Câmara dos Deputados e já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado um projeto de Lei que reconhece a música gospel como manifestação cultural brasileira.  A aprovação final desse projeto faria com que movimentos ligados a esse gênero musical recebessem incentivos fiscais estabelecidos pela Lei de Incentivo à Cultura.

Essa notícia me fez lembrar outras duas anteriores. Uma, datada do mês de agosto, era sobre a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara de um projeto de Lei que cria o Dia Nacional do Evangélico em 30 de novembro.  Inicialmente, esse projeto também colocava esse dia no calendário do Congresso Nacional, e por isso nele não haveria votações, mas apenas homenagens à religião evangélica. Contudo, essa medida foi considerada inconstitucional e retirada do projeto.

A outra, do mês de setembro, foi sobre a sanção pelo presidente Lula da lei que institui o Dia Nacional da Marcha para Jesus.

Notícias como as que citei sempre suscitam em mim pelo menos duas reflexões.

A primeira é sobre como as coisas seriam diferentes se a bancada evangélica sempre tivesse a consciência de que dos interesses da Igreja é o próprio Deus quem cuida e os estabelece. Portanto, antes de propôr leis que coloquem tais interesses sob a proteção e abrigo do poder público,  que esses parlamentares agissem como Esdras: “Então, apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos perante o nosso Deus, para lhe pedirmos jornada feliz para nós, para nossos filhos e para tudo o que era nosso. Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, porquanto já lhe havíamos dito: A boa mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas a sua força e a sua ira, contra todos os que o abandonam. Nós, pois, jejuamos e pedimos isto ao nosso Deus, e ele nos atendeu” (Esdras 8:21-23).

A segunda reflexão é sobre o quanto nosso país poderia ser mudado se os parlamentares evangélicos, antes de se ocuparem com a música gospel ou com homenagens à população evangélica, estivessem plenamente comprometidos em cumprir às orientações que o rei Lemuel recebeu: “Abre a boca a favor do mudo, pelo direito de todos os que se acham desamparados. Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados” (Provérbios 31:8,9). Afinal, conhecer a Deus também é julgar a causa do aflito e do necessitado (Jeremias 22:15,16)

O tempo passa e, enquanto leis em benefício dos evangélicos têm sido aprovadas,  minhas reflexões permanecem.

Em Cristo,

Anderson Paz


set 10 2009

O que é a Igreja?

“Escrevo-te estas coisas… para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade” (I Tm. 3:14,15)

“Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo”  (I Pe. 2:4).


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