out 4 2010

O caminho para o lado negro

Uma conversa entre mestre Yoda e Jeroboão

No episódio III da saga Star Wars, há um diálogo no qual mestre Yoda faz um alerta a Anakin Skywalker dizendo-lhe que “o medo de perder é o caminho para o lado sombrio da força”. Naquele momento Anakin estava sendo conduzido pelo medo de perder a vida de Padmé, sua amada. E cada vez mais Anakin  se aproximava do chamado Lado Sombrio, até que veio a tornar-se Darth Vader.

Se Yoda fosse real, poderia dirigir o mesmo alerta a um rei israelita chamado Jeroboão.

Após a morte do rei Salomão, dez das doze tribos de Israel não aceitaram seu filho Roboão como novo rei. Então essas dez tribos aclamaram Jeroboão como seu rei, num reino que prosseguiria com o nome de Reino de Israel. Depois disso, Roboão seguiria reinando apenas sobre as tribos de Judá e Benjamim, num reino que ficaria conhecido como Reino de Judá.

Jeroboão não foi alguém que surgiu do nada. Ele foi um homem levantado por Deus. Foi o próprio Senhor quem lhe assegurou o reino: “Quanto a você, eu o farei governar tudo o que o seu coração desejar; você será rei de Israel” (I Rs. 11:37).

Apesar de levantado por Deus, não demorou muito para que Jeroboão começasse a ter medo de perder o que havia recebido do próprio Deus.  Ele temeu que o povo, enquanto fosse a Jerusalém para oferecer sacrifícios no Templo, dedicasse novamente sua lealdade ao seu antigo rei, Roboão. Então, a fim de manter em suas mãos o que de Deus havia recebido, Jeroboão comete uma terrível abominação, e faz todo o povo pecar juntamente com ele. O rei fez dois bezerros de ouro, pôs um em Betel e outro em Dã, e disse ao povo que não precisava mais ir à Jerusalém, pois aqueles bezerros eram os deuses que o havia libertado do Egito. Jeroboão construiu altares, designou sacerdotes, instituiu festas a esses falsos deuses. Movido pelo medo de perder o reino, Jeroboão foi para o lado sombrio. E logo recebeu a seguinte palavra do profeta: “O SENHOR, porém, suscitará para si um rei sobre Israel, que eliminará, no seu dia, a casa de Jeroboão. Que digo eu? Há de ser já” (I Rs. 14:4). E assim a palavra do Senhor se cumpriu.

O que aprendemos com essa história? Aprendemos que aquele a quem Deus levanta é o próprio Deus quem sustenta. E para isso Deus não precisa da forças ou dos métodos humanos. Basta que aquele que foi levantado por Deus guie-se pela vontade de Deus. E nada mais. Basta tão somente guardar a palavra do Senhor.

NEle,

Anderson Paz


jul 20 2010

“Nunca se rebaixe para nada nem ninguém” – Tem certeza disso?

Acabei de retornar à Curitiba e, ao verificar o Twitter, me deparei com a seguinte  declaração:

“Só digo uma coisa, nunca se rebaixe pra nada nem ninguém, vc é do tamanho que Deus diz que vc é. Humilhe-se diante de Deus somente!!!”.

Trata-se de um tweet que até o momento recebeu 39 retweets, e despertou minha atenção, fazendo com que eu voltasse minha reflexão às Escrituras. Nessa reflexão, pude perceber algumas situações interessantes que queria compartilhar com vocês.

A primeira delas diz respeito à escrava Hagar, que, após fugir de sua senhora, recebeu a seguinte direção do anjo do Senhor: “Volta para a tua senhora e humilha-te sob suas mãos” (Gn. 16:9). Podemos observar que, na situação de Hagar, o tweet acima mencionado apresenta uma direção completamente oposta àquela que havia sido dada por Deus.

Também foi interessante observar que o livro de Provérbios dá a seguinte orientação aos que ficam em maus lençóis por serem fiadores: “Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro” (Pv. 6:3). Para o autor do Provérbio, o tweet citado também não deveria ser aplicado.

Por fim, o que mais despertou minha atenção foi o contexto em que Jesus ensinou que quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. Antes de dizer isso, Jesus ensina: “quando fores convidado, vai tomar o último lugar; para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, senta-te mais para cima. Ser-te-á isto uma honra diante de todos os mais convivas. Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado” (Lc. 14:10,11). Jesus ralacionava diretamente  a auto-humilhação que Ele espera de nós com a forma como nos colocamos diante dos outros.

O tweet  a que me referi apresenta alguns perigos e equívocos, mas o que quero destacar aqui é o fato de que a recomendação “nunca se rebaixe pra nada nem ninguém” pode ofuscar nossa visão e nos impedir de enxergarmos mandamentos como “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3) e “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Romanos12:10). Portanto, devemos avaliar tudo à luz das Escrituras, para não cairmos no perigo do engano.

Posts relacionados:
- Deus pode humilhar alguém?
Cada um no seu lugar – parte 1
Cada um no seu lugar – parte 2
Cada um no seu lugar – parte 3
- Pensando um pouco mais sobre humildade
- Pensando um pouco mais sobre humildade (2)
………………

mar 30 2010

Pensando um pouco mais sobre humildade… (2)

Já faz um bom tempo que o blog não tem sido atualizado. O retorno às aulas na faculdade e a monitoria na disciplina de História do Direito, além do trabalho com a rede de igrejas nos lares aqui em Curitiba, estão me obrigando a reorganizar meu tempo. E nessa reorganização, o blog tem sido altamente afetado. Mas, mesmo assim, as visitas ao blog permanecem constantes, e quero dizer aos leitores que pretendo retomar as atividades no blog em breve.

Por hora, quero apenas continuar tratando o tema do último post: Humildade. Esse tema tem marcado os primeiros meses de 2010.  Já foi tema de retiro do qual participei e até de pregação no casamento dos meus amigos Breno e Gisa (@breno_andrade).

Minha atenção tem sido chamada à essa virtude. E quero empregar minha vida em cultivá-la, afinal, para isso foi a convocação de Jesus em Mt.  11:29 – “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”.

Em minhas reflexões sobre a humildade tenho sido cercado de agradabilíssima companhia. Além do Franco (@francoamd7), que tem tocado no tema em praticamente todas as vezes que o vi durante este ano, também tenho tido a companhia de John Piper (vídeo do último post) e de Martyn Lloyd-Jones (1899-1981). Aliás, quero compartilhar hoje um texto de Lloyd-Jones.

Leia, medite, aprecie e aplique em seu cotidiano.

________________________________________________________

Humilhe-se à vista de Deus

Fonte: blog Martyn Lloyd-Jones

A palavra hebraica «aviva» tem o sentido primário de «preservar», ou «manter vivo». O que Habacuque temia grandemente era que a Igreja estivesse sendo totalmente des truída. Daí orava: «Preserva-a, ó Deus, mantém-na viva, não permitas que ela seja derrotada». Entretanto, avivar não signi fica somente manter vivo ou preservar, mas também purificar e corrigir, despojar-se do mal. Este é sempre um acompa nhamento essencial, toda vez que Deus promove avivamento.

Na historia de cada reavivamento lemos sobre a ação de Deus, purificando e eliminando o pecado, a impureza e as coisas que estavam embaraçando a Sua causa. . . enquanto a Igreja está sendo preservada, purificada e corrigida, ao mesmo tempo está sendo preparada para a libertação^ O profeta olha para a calamidade que se aproxima, e diz: «Õ Senhor, ainda que devamos ser punidos, prepara-nos para a libertação que há de vir. Faze a todo o Teu povo digno das Tuas bênçãos». . .

O apelo final de Habacuque é deveras tocante (capítulo 3, versículo 2) — «na tua ira», diz ele, «lembra-te da miseri córdia» . . . Não pede a Deus que se lembre do Seu povo por causa de quaisquer méritos deles. . . A única coisa que ele faz é pedir a Deus que se lembre de Sua natureza e daquele outro lado do Seu santo Ser — a Sua misericórdia. E como se dissesse: «Tempera a ira com a misericórdia. Nada temos para dizer, exceto pedir-Te que ajas de acordo contigo mesmo, que em meio à ira tenhas piedade de nós».

Temos aqui a oração modelo para uma época desta..* Em todos os nossos «dias nacionais de oração», durante a última guerra, parecia haver a presunção de que nós estávamos certos e de que tudo que tínhamos a fazer era pedir a Deus que derrotasse os nossos inimigos que, só eles, estavam errados. Tinha-se a impressão que não havia lugar para ne nhuma humilhação veraz ou confissão de pecado. . .

A men sagem deste livro (Habacuque) é que, enquanto não nos humilharmos verdadeiramente. . . enquanto não nos encarar  mos a nós mesmos como somos aos olhos de Deus. . . não temos direito de procurar paz e felicidade. Enquanto o mundo não aprender estas poderosas lições da Palavra de Deus, não haverá esperança para ele.

From Fear to Faith, p. 64-6.


mar 18 2010

Pensando um pouco mais sobre humildade

Se Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes (Tg. 4:6),

se os que se humilham serão exaltados (Mt. 23:12),

se dos humildes de espírito é o reino dos céus (Mt. 5:3),

e se os que aceitam glória uns dos outros não podem nem mesmo crer (Jo. 5:44),

deveríamos, portanto, empregar todo nosso empenho em cultivar a virtude da humildade.

Afinal, foi esse o convite que Jesus nos fez ao dizer: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt. 11:29).

Por isso, quero compartilhar com vocês o vídeo abaixo, onde John Piper fala sobre humildade. Confira e reflita.

Posts relacionados:
- Cada um no seu lugar – parte 1
- Cada um no seu lugar – parte 2
- Cada um no seu lugar – parte 3
………………

out 20 2009

Cada um no seu lugar – parte 3

Post anterior: Cada um no seu lugar  – parte 2 .
________________________________________________________
.

Serviço, dons e ministérios são assuntos que não podem ficar de fora quando tratamos do tema humildade.  Nessas questões não é difícil encontrarmos desequilíbrios. De um lado, há os que precisam ser constantemente relembrados do que Paulo escreveu aos Romanos: “digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm. 12:3). No lado oposto estão os que precisam ouvir o que Paulo disse à Timóteo: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (I Tm. 4:14).

Deixar de exercer talentos e dons não expressa humildade. Afinal, Deus é glorificado quando manifestamos o que dEle temos recebido pois “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Quando alguém exerce seus dons consciente que isso não lhe é próprio, mas é algo que vem de Deus, esta pessoa pode dizer: “pela graça de Deus, sou o que sou” (I Co. 15:10).

Quem serve à Igreja deve sempre trazer à memória as palavras do Senhor: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:8-12).

Jesus não quis dizer que não há mestres no meio da Igreja (I Co. 12:28). Nem que não há pais na fé (I Co. 4:15). Mas Jesus chama nossa atenção para duas realidades. A primeira é a de que Ele é a origem de qualquer ministério. Foi Ele quem garantiu que edificaria Sua Igreja (Mt. 16:18), e é Ele mesmo que, cumprindo Sua Palavra, dá dons aos homens (Ef. 4:11). Portanto, só há mestres na Igreja se estes têm Jesus como mestre. Assim como só há pastores à medida que estes têm Jesus como pastor.

Nossa atenção também se volta para a realidade de que a Igreja (família de Deus) é ambiente para serviço abnegado, e não para a ostentação e auto-promoção. Há mestres e há pais no corpo de Cristo. Contudo, o que faz um pai ou um mestre não é a ostentação de um título. Quem é pai, pastor ou mestre o é sem que receba designações especial. Afinal,  Jesus, sendo o Grande Pastor das Ovelhas (Hb. 13:20), o Sumo Pastor (I Pe. 5:4), o Pastor e Bispo das nossas almas (I Pe. 2:25) e o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb. 3:1), pode ser chamado apenas pelo Nome. Por que nós, simples mortais, exigimos ser tratados por títulos e impôr nossa pretensa autoridade?

O que faz um pastor não é a posição institucional que ocupa, mas sim o chamado e o fato de Deus lhe ter confiado ovelhas. De Deus vem o chamado e das ovelhas vem o reconhecimento. Paulo sabia disso, e disse aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (I Co. 9:2).

Quem é servido deve reconhecer isso com humildade. Paulo nos diz: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós” (I Ts. 5:12). E, ao se referir aos que trabalham em prol da Igreja, nos ensina:  “Reconhecei, pois, a homens como estes” (I Co. 16:17).

Ainda falando  sobre o lugar de cada um no Corpo de Cristo, destaco o exemplo de Dorcas (At. 9:36-43). Em tempos de “megaministérios”, de buscas desenfreadas por honra e glória no meio chamado “gospel”, é importante lembrarmos do ministério dessa mulher. As Escrituras não relatam nenhum milagre que tenha realizado, nenhuma manifestação sobrenatural. Não era uma apóstola e nem mesmo profetisa. Não era uma conferencista internacional. Era uma costureira, uma simples costureira, que usava sua habilidade com os tecidos para servir aos santos. Contudo, esse serviço simples foi suficiente para fazer com que ela fosse ressuscitada por Pedro. Muitos dos que foram usados para realizar sinais não passaram por essa experiência. Mas Dorcas, com seu serviço simples, marcou a vida de muitos e veio a ressuscitar.

A vida de Dorcas nos ensina que devemos cumprir com fidelidade o serviço que recebemos do Senhor, mesmo que isso pareça simples ou não nos coloque em evidência. Se fizermos com consagração o que Deus nos deu a realizar, poderemos receber recompensas extraordinárias.

Portanto, lembremo-nos da palavra de Paulo ao seu amigo Arquipo: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (Cl. 4:17).

Anderson Paz


Get Adobe Flash playerPlugin by wpburn.com wordpress themes