nov 24 2011

Não se deixe enganar

Um homem de Deus, um profeta velho e um alerta para nós

A história se passe entre dois homens, dois personagens anônimos (I Rs. 13). O primeiro deles, chamado apenas de “homem de Deus”, realizou o corajoso feito de dirigir uma dura palavra de juízo e reprovação, da parte do Senhor, ao perverso rei Jeroboão. O corajoso homem havia recebido de Deus a precisa ordem de não comer nem beber ali na cidade de Betel, e deveria voltar à sua cidade por um caminho diferente.

No retorno do homem de Deus à sua cidade, surge o segundo personagem, chamado apenas de “profeta velho”, que ao ouvir sobre o feito do homem de Deus, foi convidá-lo dizendo: “vem comigo à minha casa e come pão”. No primeiro momento, o homem de Deus recusa o convite, em obediência à ordem do Senhor. Então o profeta velho diz ao homem de Deus: “Também eu sou profeta como tu, e um anjo me disse por ordem do Senhor: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água”. Contudo, o profeta velho estava mentindo. Então, o homem de Deus cai na mentira do profeta velho, e aceita o convite.

Estando eles ainda à mesa, de forma inesperada a palavra do Senhor veio ao profeta velho, exatamente ao profeta que havia mentido anteriormente. Dessa vez o profeta velho fala da parte do Senhor, uma palavra de juízo contra o homem de Deus, porque este havia desobedecido à ordem do Senhor. Depois disso, quando o homem de Deus retoma sua caminhada, um leão o encontra no caminho, e o mata.

Talvez essa seja uma das histórias mais estranhas e enigmáticas do Antigo Testamento. Por que o juízo de Deus veio sobre o homem de Deus, o qual foi tão somente enganado pelo profeta velho? Por que, além de ter sido vítima de uma mentira, ele ainda foi repreendido pelo Senhor?

Acredito que essa história tem muito a nos ensinar. Até mesmo porque tudo o que foi escrito para o nosso ensino foi escrito (Rm. 15:4). Mas sem pretender esgotar todo esse ensino neste post, quero destacar aquilo que primeiro chama minha atenção nessa história: Deus responsabiliza aquele que, tendo conhecido a verdade, se deixa enganar. O homem de Deus conhecia a verdade, o mandamento do Senhor foi claro e preciso. Mas, ao ouvir a mentira, não se apegou à verdade, e se deixou enganar.

A Bíblia é enfática ao nos dizer: “não se engane!”

- “Meus amados irmãos, não se deixem enganar” (Tg. 1:16).
- “Cuidado para não serem enganados…” (Lc. 21:8)
- “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba…” (Gl. 6:7).
- “Não se enganem” (I Co. 3:18).
- “Não se deixem enganar…” (I Co. 6:9).
- “Não se deixem enganar… ” (I Co. 15:33)

Somos responsáveis em nos apegar à Verdade e nos alimentar dela. Somos chamados a nos alimentar do puro leite espiritual (I Pe 2:1-3). Não podemos nos deixar levar por ensinos diversos e estranhos. Nosso coração deve estar fortalecido pela graça (Hb. 13:9). Portanto, que estejamos cheios da Verdade e atentos para não sermos levados por qualquer engano, seja ele vindo dos falsos ensinos, dos profetas mentirosos, ou até mesmo do nosso coração (Jr. 17:9).

Em Cristo,

Anderson Paz

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out 28 2011

Afirmando a Verdade

O Fernando Frezza, em seu perfil no Facebook, publicou um texto em que Lutero fala sobre como ele buscava ensinar a Verdade acerca do que ele considerava um erro, no caso em questão,  a missa católica. Lutero faz observações importantes sobre como a Verdade deve ser afirmada, sem força ou violência, pois a pregação da Palavra é poderosa por si só. Considerei interessante reproduzir a fala de Lutero aqui, principalmente em dias de tanto engano como os nossos. Embora Lutero fale sobre a missa, tais princípios devem ser observado no combate a qualquer dos enganos contemporâneos das igrejas evangélicas.

“Todavia, o amor cristão não deve empregar aqui severidade nem forçar a coisa. Deve ser pregado e ensinado com a língua e a pena, que sustentar a missa de tal maneira é um pecado, mas ninguém deve ser arrastado para longe dela à força. A questão deve ser deixada com Deus: Sua Palavra deve sozinha fazer a obra, sem nosso trabalho. Por quê? Porque não está em meu poder modelar os corações dos homens como o oleiro modela o barro, e fazer com eles conforme me apraz. Não posso ir mais longe do que os ouvidos dos homens — seus corações eu não posso alcançar. E visto que eu não posso despejar fé em seus corações, não posso, nem devo, forçar alguém a ter fé. Que é exclusivamente obra de Deus, que faz com que a fé viva no coração. Portanto devemos dar livre curso à Palavra, e não adicionar nossas obras a ela”.

“Opus-me às indulgências e a todos os papistas, mas nunca pela força. Simplesmente ensinei, preguei, transcrevi a Palavra de Deus; não agi de outra maneira. E então enquanto eu dormia, ou tomava cerveja Wittenberg com meu Philip e com Amsdorf, a Palavra tão grandemente enfraqueceu o papado, que jamais um príncipe ou imperador infligiu tamanho dano sobre aquele. Eu nada fiz; a Palavra fez tudo… Pois é ela todo-poderosa e leva cativos os corações, e se os corações são capturados a má obra cai por si própria”.

“Portanto, deve ser um grave pecado não ouvir o evangelho e desprezar um semelhante tesouro e uma tão rica festa à qual somos convidados. Porém, é muito maior pecado não pregar o evangelho e permitir que tanta gente que alegremente o ouviriam pereça”.

Martinho Lutero

Fonte: http://monergismo.com/wp-content/uploads/Reforma_Pregacao_CJTerpstra.pdf


ago 18 2011

O que Deus não leva em consideração…

“Deus não leva em conta o tempo de ignorância”. Tal afirmação é muito conhecida e usualmente citada para se referir à graça de Deus em perdoar o nosso passado. Contudo, nem todos conhecem o versículo de onde essa afirmação é extraída. E isso faz alguma diferença? Sim, TODA! Afinal, o texto nos revela a forma com que Deus decide não levar em conta o tempo da nossa ignorância.

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (At. 17:30).

Sempre é importante lembrar que todos pecaram (Rm. 3:23), que “não há um justo, nenhum sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis” (Rm. 3:10-12). Portanto, Deus não tem dívida alguma conosco, e não seria injusto se deixasse toda a raça humana perecer. Mas, ao decidir não levar em conta o tempo do nossa ignorância, Ele nos convoca ao arrependimento.

Só compreenderemos a beleza da graça quando reconhecermos que Deus não tem obrigação alguma para conosco. Ele não tem dever algum de nos dar uma chance de arrependimento. Se não nos desse chance alguma, ainda sim Ele estaria sendo justo! Mas Ele, por graça e amor, decide não levar em conta o tempo de ignorância, e nos oferece a oportunidade de nos arrependermos desse passado.

O chamado ao arrependimento é uma oferta da livre graça de Deus. Apesar do nosso passado, Ele ainda é gracioso ao nos chamar à mudança de mente e de atitude. E o verdadeiro arrependimento traz consigo os seus frutos (Mt. 3:8; Lc. 3:8). Arrependimento que não gera frutos é falso. Zaqueu, ao se arrepender, deu frutos pois decidiu não mais usufruir dos bens que havia adquirido pelo pecado. Ele decidiu devolver tudo o que havia roubado. As multidões que atendiam ao chamado de João Batista, não ficavam caladas quanto ao seus pecados passados, com a desculpa de que Deus não leva em conta o tempo de ignorância. Pelo contrário, eles vinham a até João para serem batizados, confessando seus pecados (Mt. 3:6; Mc. 1:5).

Ao desconsiderar o nosso tempo de ignorância , Deus não nos isenta de respondermos pelos erros e danos que causamos a outras pessoas. Não! Quando Ele nos chama ao arrependimento, Ele está demonstrando sua graça e nos dá a oportunidade de repararmos esses erros e danos.

Portanto, se você fez mal a alguém, mentiu ou causou qualquer espécie de dano, não despreze a oportunidade que Deus te dá para se arrepender e produzir frutos.

Em Cristo,

Anderson Paz


mai 23 2011

Qual é a natureza da mentira?

Talvez uma das expressões mais conhecidas para se fazer referência ao diabo seja “o pai da mentira”. Afinal, foi o próprio Jesus que se referiu a ele assim, em João 8:44 – “Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira”.

Contudo, apesar do diabo ser o pai, a origem de toda a mentira, e de nele não haver verdade alguma, ele não se viu inibido ou impedido por sua natureza a usar as Escrituras ao tentar Jesus, fazendo uso de afirmações que são verdadeiras. Ora, como pode o pai da mentira usar a verdade? Para entendermos como a verdade pode ser usada para mentir, precisamos ter clareza sobre a distinção entre verdade e mentira.

A distinção entre mentira e verdade não se dá apenas pelas palavras usadas em uma comunicação, mas também pelo propósito que se pretende alcançar com o uso das palavras. Sendo assim, toda comunicação que produz em outra pessoa uma idéia falsa sobre a realidade, é uma mentira, ainda que as palavras sejam verdadeiras.

Portanto, a omissão ou a “meia-verdade ” que produz no outro uma idéia equivocada da realidade é mentira. Até mesmo uma informação verdadeira pode ser usada para produzir uma representação falsa na mente de outra pessoas. É assim que funciona a distorção e a manipulação da verdade.

À luz disso, sabemos que enquanto permanecer na mente da outra pessoa uma representação não real, a mentira permanece. Esse pecado não se esgota em um único ato. É um pecado que permanece em contínua execução até que a verdade seja dita. Portanto, não é necessário apenas deixar a mentira, mas falar a verdade. É preciso desfazer o engano, reparar o dano causado.

Além disso, precisamos viver de modo claro e transparente. Não podemos deixar que nossos irmãos tenham uma idéia equivocada sobre quem nós somos e sobre o que fazemos. É por isso que Paulo nos convoca a vivermos na luz ao dizer “vocês todos são filhos da luz, filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas” (I Ts. 5:5). E quando fala sobre o que é a luz, Paulo afirma: “tudo o que é exposto pela luz torna-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas” (Ef. 5:13).

Por fim, é necessário também que nos orientemos conforme a palavra que nos diz: “confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados” (Tg. 5:16).

Em Cristo,

Anderson Paz

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mai 10 2011

Um “Jesus” mutilado e o Jesus da Bíblia

Em certa ocasião, um grupo de gregos foram até Filipe dizendo: “queremos ver Jesus” (Jo. 12:20-21). Dois milênios após a encarnação do Verbo, quem precisa dizer “queremos ver Jesus” são os que afirmam conhecê-lo. Infelizmente, a visão de muitos acerca de Jesus está embaçada, distorcida, e por isso há muitas versões de “Jesus” sendo anunciadas, todas elas mutiladas de verdade.

Há quem pregue a graça destituída de verdade; o perdão dos pecados que não demanda arrependimento; o amor que não necessita de santidade; a misericórdia que ignora a gravidade do pecado; o céu negando a existência do inferno. Tudo isso corresponde à apresentação de um  “Jesus” mutilado, um Cristo pregado conforme a conveniência do pregador ou dos ouvintes.

Contudo, no Jesus apresentado pelas Escrituras, vemos a conjugação perfeita entre a graça e a verdade (Jo. 1:17). A verdade denuncia com clareza e firmeza o pecado, ao dizer “qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento” (Mt. 5:22), “qualquer que olhar para uma mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração” (Mt. 5:28), “do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias” (Mt. 15:19). Mas em Jesus também vemos a mais extraordinária e incomensurável graça, pela qual diz a um pecador “os teus pecados te são perdoados” (Lc. 5:20), que diz a uma mulher adúltera “eu não te condeno” (Jo. 8:11), que diz a um ladrão arrependido “hoje estarás comigo no paraíso” (Lc. 23:43), e que garante a todo homem que é possível vencer o pecado, pois é Ele quem diz ao arrependido: “vai e não peques mais” (Jo. 8:11).

Jesus não ignora a gravidade do pecado. Afinal, foi o próprio Jesus quem disse: “Se o seu olho direito o fizer pecar, arranque-o e lance-o fora. É melhor perder uma parte do seu corpo do que ser todo ele lançado no inferno” (Mt. 5:29). Mas nEle há verdadeira misericórdia e perdão, pois ele veio buscar e salvar o que se havia perdido, e Ele salva o perdido chamando pecadores ao arrependimento (Lc. 5:32).

O Jesus da Bíblia não nega a existência do inferno, e nem minimiza a importância dessa realidade. Foi Ele quem disse: “temam aquele que, depois de matar o corpo, tem poder para lançar no inferno” (Lc. 12:5). Mas é Ele quem oferece a todo pecador a alegria da salvação, e a esperança que nasce das suas palavras: “Na casa de meu Pai há muitas moradas, … Vou preparar-vos lugar” (Jo. 14:2). Nos alegraremos com o dia em que Ele mesmo nos dirá: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo” (Mt. 25:34).

Quão maravilhoso é Jesus. Que nossos olhos se abram para contemplarmos Sua glória. Que possamos dizer: “Queremos ver Jesus!

Em Cristo,

Anderson Paz

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