jan 17 2012

Quando saber o certo não resolve nada…

É conhecidíssima a ilustração usada por Jesus sobre o homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha, e o homem insensato que construiu sua casa sobre a areia (Mt. 7:24-27; Lc. 47-49). O primeiro permaneceu inabalável em meio à adversidade, enquanto que o fim do segundo foi a ruína.

Em geral, o “construir sobre a rocha” é compreendido como se aprofundar na verdade das Escrituras, ser fiel ao ensino bíblico, conhecer profundamente o ensino que sustenta a fé cristã. Portanto, ter um fundamento sólido seria ter uma teologia bíblica, correta, ortodoxa (reta doutrina). Essa parece ser a ideia que inspira o título do livro “Cave mais fundo”, escrito por Joshua Harris, cujo propósito é desafiar seus leitores a se aprofundarem nas doutrinas bíblicas, algo que é importantíssimo.

É preciso destacar que o ensino correto não é apenas importante. Ele é indispensável e elementar. Fidelidade às Escrituras é algo inegociável para um verdadeiro cristão. Precisamos de teologia correta. Como disse Jesus: “Errais por não conhecer as Escrituras…” (Mc. 12:24). Entretanto, ao prestarmos atenção na ilustração usada por Jesus, constataremos que ambos os construtores, o prudente e o insensato, tinham o ensino certo, a teologia correta. Os dois ouviam as palavras do próprio Jesus. O insensato não estava ouvindo doutrinas várias e estranhas. Ele era tão ortodoxo quanto o prudente. A diferença entre os dois não estava no ensino, mas na prática.

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda”.

Se aprofundar em conhecer o ensino correto, é apenas construir. O que determina o fundamento da construção, não é o ensino correto, mas a prática correta.

Em Cristo,

Anderson Paz


set 1 2011

Pânico e morte

Autor: Elben César
Fonte: Refeições Diárias Com o Sabor dos Salmos (Editora Ultimato)

“Quando escondes o rosto, entram em pânico; quando lhes retiras o fôlego, morrem e voltam ao pó″ (Sl 104.29).

A dependência de Deus é de suma importância. Deveria ser lembrada e levada a sério sempre. Não só quando todos os recursos falham. Não só quando todos os “jeitinhos” se tornam ineficientes. Não só quando todos os esconderijos desaparecem do mapa.

O salmista é muito categórico a esse respeito. Ele não tem a menor dúvida de que, quando Deus esconde o seu rosto, todos “entram em pânico” e, quando Deus retira deles o seu fôlego (ou quando lhes corta a respiração), todos “morrem e voltam ao pó” (Sl 104.29).

Não poderia ser de outra forma, tal a nossa dependência de Deus, pois “nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28). Jó estava tão certo de que a continuação de sua vida dependia exclusivamente de Deus que, quando quis morrer, desejou que Ele “soltasse a sua mão” e o suprimisse (Jó 6.9). Enquanto alguns não acreditam no controle pessoal de Deus sobre tudo e sobre todos, sobre a vida e sobre a morte, outros preferem fazer uso dessa verdade para terem a liberdade de suplicar: “Ó meu Deus, não me leves no meio dos meus dias”(Sl 102.24).

Sem o rosto de Deus voltado para nós há pânico e na ausência daquele seu sopro inicial (Gn 2.7) há morte. Na prática, não há muita diferença entre pânico e morte. Aquele elimina a iniciativa e esta elimina a vida.

Não se pode substituir a autoridade de Deus pela autoridade do destino. A autoridade de Deus não pára na morte. Já a autoridade do destino é fria e nada mais tem a oferecer depois da morte. É esta, e não aquela, que gera o pânico maior. Ela continua depois da morte.


jun 5 2011

Proteção aos pequenos indígenas: uma conquista.

Fonte: site da Ultimato

O Projeto de Lei 1057/2007, conhecido como Lei Muwadji, foi aprovado unanimemente ontem (01/06) pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. O PL tem como objetivo proteger crianças indígenas brasileiras com deficiência física ou mental, gêmeas, filhas de mãe solteira ou que, por outras razões determinadas pela tradição de cada povo, estejam em situação de risco de morte.

Segundo a ONG ATINI – Voz pela Vida, criada em 2006 em favor do direito da criança indígena, em algumas etnias ainda há o risco de as crianças serem rejeitadas, abandonadas na mata ou mortas por membros da própria família devido à pressão interna da comunidade. Há relatos de mais de duzentas crianças mortas nessas condições.

De autoria do deputado Henrique Afonso (PT-Acre), a lei estabelece que “é dever de todos que tenham conhecimento das situações de risco, em função de tradições nocivas, notificar imediatamente as autoridades acima mencionadas, sob pena de responsabilização por crime de omissão de socorro, em conformidade com a lei penal vigente, a qual estabelece, em caso de descumprimento, detenção de um a seis meses ou multa”, conforme o artigo 4º do projeto.

O PL não criminaliza membros de comunidades indígenas que intentarem contra a segurança das crianças por entender que isso faz parte da manifestação da sua cultura. A principal consequência será para indivíduos externos à cultura que, conscientes da ameaça, não fizerem denúncias a respeito, o que será classificado como crime de omissão. Da mesma forma, aqueles que impedirem atos de infanticídio não serão condenados, visto que o direito humano à vida se sobrepõe à expressão da tradição.

Batizada em nome da coragem
A Lei Muwaji, como é chamada, foi batizada em homenagem à mãe Suruwahá de mesmo nome. De acordo com a tradição da etnia, sua filha, que nasceu com paralisia cerebral, teria de ser morta. Para salvar a filha, Muwaji decidiu abandonar a tribo e hoje vive na “Casa das Nações”, uma comunidade indígena multicultural mantida pela ATINI, no Distrito Federal.

O primeiro rascunho do texto da Lei foi feito pelo pastor e líder indígena Eli Ticuna, que é também o diretor-adjunto da ATINI. “Nossa função é ajudar aqueles que querem salvar seus filhos. Isso é um direito fundamental. O objetivo do PL não é penalizar. Tudo o que o ser humano constrói faz parte da cultura. Há práticas culturais boas e há práticas nocivas, como o infanticídio”, afirmou Ticuna.

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mar 23 2011

Deus e nossas escolhas

Todos os dias fazemos escolhas, e a maioria delas são corriqueiras, como a escolha do que vestir, ou a do que comer. Contudo, há algumas escolhas, que tomamos em certas ocasiões na vida, que se revestem de singular importância: casamento, vida familiar, escolhas profissionais, vida acadêmica etc. Para escolhas como essas dedicamos especial cuidado, tendo em vista que as decisões que tomamos hoje podem nos levar para situações inesperadas no futuro. E, devido à importância dessas escolhas, os cristãos tem especial interesse em fazer de Deus participante dessas decisões. Afinal, temos orado dizendo: “Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt. 6:10). E, assim como pedimos a vontade de Deus, temos uma promessa segura da parte dEle: “Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você” (Sl. 32:8).

Contudo, o zelo por fazer a vontade de Deus deveria marcar não apenas os momentos de decisões importantes, mas deveria ser uma atitude presente em cada dia de nossa existência, posto que nos alimentamos da Palavra que sai da boca do Senhor (Dt. 8:3). É importante destacar que, assim como Paulo nos afirma que o justo viverá pela fé (Rm. 1:17), ele também diz que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm. 10:17). Portanto, não ouvimos Deus apenas para tomar decisões importantes. Ouvimos Deus para viver!

Mas, a pergunta que permanece ainda é “como ouvir Deus?”. Ora, por meio das Escrituras vemos que Deus tem mais de um meio de se revelar a nós. O Salmo 19:1, por exemplo, nos diz: “Os céus declaram a glória de Deus”. Contudo, nessa jornada em busca de se conhecer a Deus, quero te recomendar a começar pelo meio mais fiel e seguro que Deus estabeleceu para que conheçamos a Sua vontade: as Escrituras. Até mesmo porque, são elas que te fornecerão o filtro para que você consiga discernir a voz de Deus. Na busca de como ouvir Deus, e ao consultarmos meios ou pessoas para isso, ainda continua de pé o critério ensinado por Isaías para que possamos discernir a voz do Senhor: “À lei e aos mandamentos!” Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz!” (Is. 8:20).

Que Deus nos conduza cada vez mais em sua luz.

Anderson Paz
Texto originalmente escrito para o blog Conexâo Eclésia

fev 11 2010

Um legado, uma recompensa

Quando refletimos sobre a morte, ao menos duas perguntas deveríamos fazer a nós mesmos. A primeira é sobre o que dirão sobre nós. A segunda é o que Deus dirá. A primeira está ligada ao nosso legado. A segunda, à nossa recompensa. A primeira diz respeito ao que deixaremos. A segunda, ao que receberemos.

É verdade que poucos morrem como o perverso Jeorão, que “se foi sem deixar de si saudades” (2 Cr. 21:20). A maioria das pessoas deixam saudades ao menos em seus familiares. Contudo, são pouquíssimos os que partem como a costureira Dorcas. Mulher notável pelas boas obras e esmolas que fazia, sua morte causou tal comoção que as viúvas que recebiam sua ajuda mostravam a Pedro as túnicas e vestidos que Dorcas fizera. Essa mulher havia deixado uma marca, gerada pelo serviço, e não pelo parentesco ou pela simples amizade. O resultado de tudo isso foi sua ressurreição (At. 9:36-43). Quem dera houvessem muitos outros como Epafrodito, homem que, pela obra de Cristo, chegou às portas da morte e se dispôs a dar a própria vida. Tal foi sua dedicação e seu serviço ao Evangelho que, se tivesse morrido, Paulo afirma que teria tristeza sobre tristeza (Fp. 2:25-30). O serviço desse homem havia deixado marcas na vida do apóstolo. Como seria bom se, quando partirmos, deixássemos esse testemunho de vida, esse legado aos homens. Como seria bom se nossos filhos declarassem: “Nossos pais confiaram em ti… e não foram confudidos” (Sl. 22:4,5).

Quanto à segunda pergunta, como seria maravilhoso que todos nós ouvíssemos do Senhor: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt. 25:21). Sobre esse tema, as palavras de Jesus são suficientemente claras, e dispensam comentários:

Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. … sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. … Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer” (Mt. 25:34-46).

Que tenhamos uma vida marcada pelo serviço, a fim de que possamos deixar um legado aos homens, e receber nossa recompensa em Deus.

Em Cristo,

Anderson Paz

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